As reflexões da Professora Glória Rebelo que constituem a
presente obra revestem-se de uma atualidade extraordinária uma vez que, de
acordo com a experiência reflexiva da autora, há uma permanente preocupação de
ligar o direito, a economia, a sociedade e a cultura. A crise económica e
financeira, cujos efeitos sentimos duramente, obrigam à consideração da
complexidade, como Edgar Morin tem salientado, incorporando o conceito dinâmico
de metamorfose. De facto, estamos no limiar de um novo tempo em que os conceitos
de coesão, sustentabilidade, confiança, reciprocidade e justiça ganham uma
importância crescente. A coesão económica, social e territorial obriga a contrapor
a fragmentação e a indiferença à procura de elos estáveis e duradouros que
permitam garantir que os interesses vitais comunitários e o bem comum possam
ser eficazmente respeitados. Daí a necessidade de compreender que, por exemplo,
a democracia supranacional europeia não pode desenvolver-se sem se ancorar nas
legitimidades dos Estados-nações e dos cidadãos. As mediações sociais nos
Estados modernos obrigam, assim, a ligar as legitimidades do voto, da prestação
das contas e do exercício bem como a cumprir o princípio da subsidiariedade,
uma vez que a cidadania tem de se realizar a partir das pessoas concretas e da
sua inserção social responsável. Daí que a sustentabilidade económica e
financeira se constitua em condição para que a liberdade e a igualdade, a
liberdade e a diferença, se tornem naturalmente complementares e pressupostos
da igual consideração e respeito de que fala Ronald Dworkin. (...)
Sinopse
Ficha Técnica
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