Com o projecto Topografias da Vinha e do Vinho pretendeu-se criar uma iniciativa de documentação sobre a Região Demarcada da Bairrada na tradição das missões fotográficas francesas e italianas dos anos 80. São preocupações com o ordenamento do território, com o tecido produtivo da região e com o património paisagístico. A Região tinha necessidade de construir um painel iconográfico contemporâneo dando essa missão a alguns dos mais activos fotógrafos portugueses. A iconografia contemporânea da Bairrada é quase inexistente, exceptuando uma exposição nos Encontros de Fotografia de Coimbra (',Itinerários de Fronteira',) em 1994, com um capítulo dedicado à Região. A vontade que a Comissão Vitivinícola da Bairrada tem sentido em possuir imagens para a promoção da Região foi o estímulo para a realização desta ',missão', fotográfica que, progressivamente, se tornou num projecto mais ambicioso e prospetivo. O projecto conclui-se com a intenção de criar uma colecção de fotografia contemporânea, fixada num livro com contributos vários que podem acrescentar algo mais, muito para além da criação de um banco de imagens promocionais. Aos fotógrafos foi-lhes pedido que trabalhassem na observação social e geográfica dos lugares, cruzando autorias com preocupações documentais, no sentido de construir um ',corpus', de imagens capaz de sobreviver ao relato descritivo e caracterizados pela espessura de cada autor. Os fotógrafos percorreram a Região durante um ano e em diversos momentos, de forma a registarem as diferentes etapas da viticultura, as mutações da paisagem e algumas manifestações sociais e culturais relacionadas com o vinho e a vinha. Pensamos que este projecto pode ser exemplificativo de uma consequente ligação entre as artes visuais e o tecido produtivo de uma região agrícola, tanto mais que ainda existe algum atavismo relativamente às iniciativas descentralizadas e genuinamente locais. Porque cada vez faz menos sentido a clássica distinção alta/baixa cultura, este projecto assume o seu carácter naturalmente periférico (não se situa em nenhum centro!) imprimindo condições de execução, promoção e edição de qualidade urbana e central: pensamos que só assim as periferias se podem afirmar como espaços de importância vital para o desenvolvimento regional integrado. José Maçãs de Carvalho, na introdução a este livro
Sinopse
Com o projecto Topografias da Vinha e do Vinho pretendeu-se criar uma iniciativa de documentação sobre a Região Demarcada da Bairrada na tradição das missões fotográficas francesas e italianas dos anos 80. São preocupações com o ordenamento do território, com o tecido produtivo da região e com o património paisagístico. A Região tinha necessidade de construir um painel iconográfico contemporâneo dando essa missão a alguns dos mais activos fotógrafos portugueses. A iconografia contemporânea da Bairrada é quase inexistente, exceptuando uma exposição nos Encontros de Fotografia de Coimbra (',Itinerários de Fronteira',) em 1994, com um capítulo dedicado à Região. A vontade que a Comissão Vitivinícola da Bairrada tem sentido em possuir imagens para a promoção da Região foi o estímulo para a realização desta ',missão', fotográfica que, progressivamente, se tornou num projecto mais ambicioso e prospetivo. O projecto conclui-se com a intenção de criar uma colecção de fotografia contemporânea, fixada num livro com contributos vários que podem acrescentar algo mais, muito para além da criação de um banco de imagens promocionais. Aos fotógrafos foi-lhes pedido que trabalhassem na observação social e geográfica dos lugares, cruzando autorias com preocupações documentais, no sentido de construir um ',corpus', de imagens capaz de sobreviver ao relato descritivo e caracterizados pela espessura de cada autor. Os fotógrafos percorreram a Região durante um ano e em diversos momentos, de forma a registarem as diferentes etapas da viticultura, as mutações da paisagem e algumas manifestações sociais e culturais relacionadas com o vinho e a vinha. Pensamos que este projecto pode ser exemplificativo de uma consequente ligação entre as artes visuais e o tecido produtivo de uma região agrícola, tanto mais que ainda existe algum atavismo relativamente às iniciativas descentralizadas e genuinamente locais. Porque cada vez faz menos sentido a clássica distinção alta/baixa cultura, este projecto assume o seu carácter naturalmente periférico (não se situa em nenhum centro!) imprimindo condições de execução, promoção e edição de qualidade urbana e central: pensamos que só assim as periferias se podem afirmar como espaços de importância vital para o desenvolvimento regional integrado. José Maçãs de Carvalho, na introdução a este livroFicha Técnica
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