[...] A taberna do Pescada ficava mesmo em frente ao cemitério dos Prazeres, e era frequentada pela gente do sítio, especialmente de noite, à hora em que os cabouqueiros e os britadores abandonam os seus trabalhos e entram na cidade, em ruído. Tratava-se então de levantar um muro de cantaria que fosse como a fachada opulenta da gélida cidade de cadáveres, na planura que medeia entre o cemitério e as terras, o terreno via-se revolto, os carros de mão jaziam esquecidos, os montes de pedras miúdas e de argamassas antigas tornavam penoso o trânsito. Na lama constante do caminho, eram profundos os sulcos que as seges de enterro deixavam até à porta do cemitério, escancarada sempre, como a goela dum plesiossauro faminto. [...]”
Sinopse
[...] A taberna do Pescada ficava mesmo em frente ao cemitério dos Prazeres, e era frequentada pela gente do sítio, especialmente de noite, à hora em que os cabouqueiros e os britadores abandonam os seus trabalhos e entram na cidade, em ruído. Tratava-se então de levantar um muro de cantaria que fosse como a fachada opulenta da gélida cidade de cadáveres, na planura que medeia entre o cemitério e as terras, o terreno via-se revolto, os carros de mão jaziam esquecidos, os montes de pedras miúdas e de argamassas antigas tornavam penoso o trânsito. Na lama constante do caminho, eram profundos os sulcos que as seges de enterro deixavam até à porta do cemitério, escancarada sempre, como a goela dum plesiossauro faminto. [...]”Ficha Técnica
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