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Portugal e a Construção Europeia

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Sinopse

"Reúnem-se no presente volume os textos actualizados das comunicações apresentadas no Colóquio ""Portugal e a Construção Europeia"", promovido pelas Faculdades de Letras e de Direito, pela Associação de Estudos Europeus, pelo Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX (CEIS20) e pelo Instituto de História e Teoria das Ideias, todos da Universidade de Coimbra, que se realizou nesta Universidade nos dias 23 e 24 de Novembro de 2001. O conjunto das intervenções põe a claro a complexidade, a delicadeza e a profundidade do processo histórico que, desde meados do Século XX, envolve a Europa e vai aproximando os Estados e povos que a ela pertencem.O propósito dos organizadores foi convocar personalidades com diferentes formações académicas, enriquecidas por experiências culturais e profissionais as mais diversificadas, muitas delas credenciadas por relevantes missões ao serviço do País (políticos, diplomatas, filósofos, historiadores, jurisconsultos, economistas ...) para deporem sobre as preocupações, anseios e projectos que animaram Portugal e os seus dirigentes a trilhar os caminhos de concertação e unidade que, na segunda metade do Século XX, foram tecendo ou cerzindo o retalho europeu.Ao longo do Século o desafio foi sempre, a bem dizer, o mesmo: nos campos político, económico, cultural, social e militar, como conciliar a diversidade com a unidade da Europa? Como esconjurar os males de uma trágica herança divisionista que, na mesma geração, ensanguentou a Europa e o Mundo com fratricídios que acabaram por atingir todo o género humano? Como garantir a esta parte ou ""partida"" do Mundo, que Zeus raptou e amou, segundo o mito grego, e que serviu de berço à mais prodigiosa civilização, a posição que lhe cabe, em importância e mérito, no contexto da globalização política, económica, cultural, tecnológica e militar de hoje?Os ensaios de resposta institucionais têm sido vários. Pretende-se uma Europa da Cultura e do Espírito, mas também se quer uma Europa do Mercado Comum, uma Europa da Defesa e Segurança Comuns, uma Europa Social, uma Europa do Ambiente... Certo já é que por todo este espaço jorra a liberdade de pensamento, de religião e de ciência, entrelaçada nos demais postulados da democracia, circulam sem entraves ideias, pessoas, mercadorias e capitais, luta-se empenhadamente por uma cada vez mais ampla e mais efectiva protecção dos direitos do Homem e pela concretização da igual dignidade de todos, sem distinção do sexo, da raça, da língua ou do credo religioso, elege-se periodicamente representantes para elaborar convenções e participar na definição das políticas de alcance europeu, promove-se regularmente reuniões de chefes de Estado e governantes para tratar dos assuntos europeus, julga-se em nome do Direito Europeu e da sua Justiça ...O que seja ou deva ser a Europa, de hoje e de amanhã, tem sido objecto, ao longo dos tempos, de reflexões do mais alto interesse político e cultural, que vão, por exemplo, de Robert Schumann a Jean Monnet, de Winston Churchill a De Gaulle, de Nietzsche a Ortega y Gasset ou de Jacques Maritain a Edgar Morin. Mas o tema já deixou há muito de ser assunto apenas das camadas dirigentes europeias, para passar a interessar o ""homem comum"", o eleitor, o agricultor, o operário, o empresário, o emigrante, o sedentário. Por trás desta generalização e a dar-lhe sentido está o facto de a Europa ser sentida, ou pressentida, como um processo em curso, como um projecto inconcluso, como uma tarefa inacabada.As comunicações e comentários reunidos neste volume dão testemunho da memória colectiva de europeus e portugueses e revelam laços nem sempre lembrados entre o desenvolvimento da construção europeia e a participação de Portugal nos desafios e sonhos dessa ""Terra Nova"" - que vem emergindo, de vagar e de modo vário, de um já considerável acervo de experiências vividas em comum pelos povos e cidadãos da Europa. A fragmentação política, económica e militar, que, nos inícios do Século XX, parecia conduzir os europeus em direcção oposta à unidade, cedeu, visivelmente, o passo à unidade plural europeia.Decerto ainda são muitas as insuficiências de percepção da identidade comum e as contradições e obscuridades que afectam a institucionalização dessa ""geografia de uma cultura"", que, na expressão feliz de Maria Teresa Gouveia, a Europa é. Aqui fervilham valores, crenças, ideias, estruturas culturais, sociais, políticas e económicas, em contínua interacção, e de todas estas diferenças vai a Europa haurindo aquela sua unidade plural. Talvez não haja resposta para a questão de saber onde se encontra o centro dessa interacção a n dimensões - se na identidade cultural, se no processo de institucionalização política e económica. Para melhor percepção desta problemática parece útil, entretanto, distinguir os três conceitos que dão forma à ideia de Europa: um conceito cultural, que equaciona a questão da identidade europeia, uma conceito filosófico, que se prende com o espírito europeu, e um conceito político-social e económico, em torno do qual se articula o processo da construção europeia.Foi longo o caminho da génese da ideia de Europa na Modernidade, complexo e sinuoso vem sendo o processo da sua construção institucional. No encontro de análises pluridisciplinares e de múltiplas perspectivas de reflexão e no diálogo racional e aberto que as tenha em conta ganhar-se-á, seguramente, altura para mais fielmente interpretar a herança da história e para moldar ""com engenho e arte"" as instituições do futuro.Que o livro que agora entregamos ao leitor tenha o mérito de contribuir para avivar o interesse do povo português pela questão europeia e pela participação atenta e inteligente de Portugal na sua solução, eis o que para nós seria uma aliciante recompensa. Dezembro de 2002Os organizadores MARIA MANUELA TAVARES RIBEIRO ANTÓNIO MOREIRA BARBOSA DE MELO MANUEL CARLOS LOPES PORTO "  

Ficha Técnica

  • Editora: Almedina
  • Colecção:
  • Data de Publicação: 2002
  • Encadernação: Capa Mole - 275 páginas páginas
  • Idioma: Português
  • ISBN: 9789724018331
  • Dimensões do livro: -
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