Ser
Português, é entender-se mais latino que os espanhóis, mais brasileiro que os
brasileiros (já que eles nos chamam Mãe) e africano de primeira (já que
para os indígenas foi mais do que um pais); é sentir-se bem quando se instala
lá fora e incapaz de se instalar cá dentro: é, no amor, não se limitar a ser
macho, precisando de ser marialva;
é julgar-se atrevido mas ser, afinal de contas, ingénuo; é viver em
permanente lua-de-mel com uma amante saudade; é ser terrivelmente
complexado mas achar-se convictamente melhor que o estrangeiro; é esgotar a
Bola, a Telenovela, o Marco Paulo, a Crónica e o Incrível, depositar na D.
Branca e acreditar que o país real não é esse: é gastar mais do que tem
ganhando menos do que pode, ou trabalhar mais do que pode e não gozar o que
tem; é chorar-se com dó de si mesmo a rir-se das próprias fraquezas; é
acreditar no D. Sebastião – não que ele há-de chegar mas que já anda algures
por aí; é lamentar que não haja meio termo em ditadura e democracia.O
Autor fez VIVER SEM TRABALHAR CONTINUA com ma mesma intenção com que
escreveu o anterior (Viver Sem Trabalhar num País à Beira-Mar); pôr o
pessoal a rir, saudável e organizadamente, da enorme desorganização que nós
somos. E, habitando os Portugueses (mais de metade pelo menos...) este país que
se não existisse teria de ser inventado, sendo nós o povo do mundo que possui
no seu grua mais elevado essa virtude sublime de ser capaz de se rir de si
próprio, VIVER SEM TRABALHAR acaba por não ser mais do que um manual de
ser Português.Vamos, pois, tirar-nos de cuidados (para quê
afligirmo-nos?...) e mostrar ao estrangeiro que, se as tristezas não pagam
dívidas, também não é pelo trabalho que tencionamos pagá-las!
Sinopse
Ficha Técnica
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