Assassinos
políticos, terrorismo, massacres, (des)informação, propaganda, rapto de
portugueses e soviéticos, contactos com o KGB, a vivência com o presidente da
guerrilha Afonso Dhlakama, execuções sumárias, espionagem, mistério, e traição
contínua, incluindo a eliminação dos dois secretários-gerais da guerrilha, em
Pretória e Lisboa, pululam nas páginas do livro e mostram bem toda a
manipulação inerente aos processos militares e políticos que entranham esse
coração das trevas do grande continente negro. E não faltam referências ao
sombrio papel desempenhado pelas autoridades e serviços militares de informação
portuguesas – a DINFO – e os seus agentes no terreno, procurando ombrear com a
AMI sul-africana, o BND da Alemanha Federal e outros.Das
matas africanas a acção salta para Portugal e Europa ocidental, e todas a trama
envolvente, redundando quatro anos depois num regresso a Maputo, após a morte
“acidentada” de elementos da delegação em Lisboa, incluindo um antigo
embaixador moçambicano, e o fim misterioso de Samora Machel – aqui também
analisado – e toda a subsequente transformação do regime. Afinal, vai
reencontrar um país que nada tem a ver
com a terra que antes conheceu, tudo não passa de um tremendo murro nostálgico,
numa terra entretanto coberta pelo denso manto da corrupção. Uma cidade cercada
pela guerra, entorpecida pelas cálidas águas da baía, e onde não faltam as
muitas tentações das sensuais e tórridas mulheres moçambicanas.Tudo
isto jorra impetuosamente no livro, em linguagem escorreita, por vezes ácida,
mordaz, a roçar o cinismo. Em suma, um escrito crú, puro e duro.A
óbvia semelhança com pessoa e factos reais nunca é coincidência.
Sinopse
Ficha Técnica
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