A poesia de Ruy Belo é uma daquelas que é feita de diferentes modos e formas e, ao mesmo tempo, de motivos constantes, de retomadas e variações. Ele é capaz da mestria no poema curto e, em particular, nesse tipo de forma fixa especialmente disponível para o jogo da composição verbal, que é o soneto, e contudo também capaz de se entregar, num misto de vertigem e de rigor de construção, ao poema longo. Capaz de construir um livro que é uma arquitectura de poemas e um outro que é rigorosamente um único e longuíssimo poema. Para além disso, é uma poesia que pratica uma grande diversidade de entoações, tonalidades, ritmos e formas, que é canto elegíaco, declaração, narrativa, meditação, invenção da memória e escuta do que virá, encontro e despedida com as paisagens do mundo e os rostos do amor, uma poesia que muda de voz, cola e integra diferentes registos discursivos que podem ir da citação erudita ou do jogo dos conceitos à reconstrução do falar coloquial, que explora, por vezes obsessivamente, figuras da sonoridade das palavras e figuras da construção sintáctica.A sua poesia é por vezes intensamente dolorida, quase desesperada, mas é também temperada pela auto-ironia, e essas várias modalidades fazem sobressair um modo da alegria que pode ser a vibração de um acordo profundo com a terra ou apenas uma réstia de luz, um pequeno fulgor restante.”Manuel Gusmão, in Phala 86 (excerto)
Sinopse
A poesia de Ruy Belo é uma daquelas que é feita de diferentes modos e formas e, ao mesmo tempo, de motivos constantes, de retomadas e variações. Ele é capaz da mestria no poema curto e, em particular, nesse tipo de forma fixa especialmente disponível para o jogo da composição verbal, que é o soneto, e contudo também capaz de se entregar, num misto de vertigem e de rigor de construção, ao poema longo. Capaz de construir um livro que é uma arquitectura de poemas e um outro que é rigorosamente um único e longuíssimo poema. Para além disso, é uma poesia que pratica uma grande diversidade de entoações, tonalidades, ritmos e formas, que é canto elegíaco, declaração, narrativa, meditação, invenção da memória e escuta do que virá, encontro e despedida com as paisagens do mundo e os rostos do amor, uma poesia que muda de voz, cola e integra diferentes registos discursivos que podem ir da citação erudita ou do jogo dos conceitos à reconstrução do falar coloquial, que explora, por vezes obsessivamente, figuras da sonoridade das palavras e figuras da construção sintáctica.A sua poesia é por vezes intensamente dolorida, quase desesperada, mas é também temperada pela auto-ironia, e essas várias modalidades fazem sobressair um modo da alegria que pode ser a vibração de um acordo profundo com a terra ou apenas uma réstia de luz, um pequeno fulgor restante.”Manuel Gusmão, in Phala 86 (excerto)Ficha Técnica
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