«Vivemos tempos árduos. Desde que a crise se instalou no opulento
Ocidente, um esquema societário da subtracção hegemoniza-se sob o
fundamento duplo de que, na ordem dos factos, o mundo não basta para
todos e de que, na ordem dos valores, não devemos dar por garantido
nenhum direito adquirido quanto à existência digna no mundo. O próprio
exercício da escolha, que os ciclos democráticos pressuporiam, é posto
sob a suspeita da leviandade. A democracia ganha aversão aos democratas.
No fundo da questão, o que se instala no regime societário da
subtracção é a adversidade à própria vontade de escolher. Os ensaios
deste livro procuram defender um caminho diferente, de escolhas humanas
que dêem um futuro à História, através do pensamento sobre a liberdade
política de Jean-Jacques Rousseau, Isaiah Berlin, Hannah Arendt, Jacques
Rancière, Jean-Paul Sartre e Slavoj Žižek. E também escolhas por uma
continuação da ideia de tolerância, pelo prosseguimento de uma narrativa
moderna, por apressada que tenha sido, para Portugal, e pela defesa de
um conceito de espaço público, todas elas escolhas que são continuidades
de uma modernidade a retomar. Em tempos em que se atropelam declarações
de últimas vontades, há que escolher como se os tempos fossem
imaginativos e nos movessem vontades de tempos novos. Estas são as
primeiras vontades para uma vida humana digna.» A.B.
André Barata (n. 1972) fez toda a sua formação em Lisboa, onde se
doutorou em Filosofia Contemporânea. É professor universitário (na
Universidade da Beira Interior) e investigador do Instituto de Filosofia
Prática. Os seus interesses académicos circulam pela teoria política, o
pensamento existencial e a psicologia. Tem publicado livros de ensaio,
como Metáforas da Consciência (Campo das Letras, 2000), sobre o
pensamento de Jean-Paul Sartre, ou Mente e Consciência (Phainomenon,
2009), conjunto de ensaios sobre filosofia da mente e fenomenologia.
Publicou Círculos — Experiências Descritivas (Caminho, 2007), um livro
de fragmentos filosóficos, em parceria com Rita Taborda Duarte. Editou
Representações da Portugalidade (Caminho, 2011), obra colectiva que
inquire criticamente os discursos identitários sobre o país.
Sinopse
André Barata (n. 1972) fez toda a sua formação em Lisboa, onde se doutorou em Filosofia Contemporânea. É professor universitário (na Universidade da Beira Interior) e investigador do Instituto de Filosofia Prática. Os seus interesses académicos circulam pela teoria política, o pensamento existencial e a psicologia. Tem publicado livros de ensaio, como Metáforas da Consciência (Campo das Letras, 2000), sobre o pensamento de Jean-Paul Sartre, ou Mente e Consciência (Phainomenon, 2009), conjunto de ensaios sobre filosofia da mente e fenomenologia. Publicou Círculos — Experiências Descritivas (Caminho, 2007), um livro de fragmentos filosóficos, em parceria com Rita Taborda Duarte. Editou Representações da Portugalidade (Caminho, 2011), obra colectiva que inquire criticamente os discursos identitários sobre o país.
Ficha Técnica
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