Da Cegueira dos Pintores, Parte Escrita II (1985)
repõe nas mãos do público um conjunto de ensaios irrepetíveis sobre a
pintura, sobre a actividade artística e sobre a própria natureza do
olhar. Este conjunto de ensaios, que se pode considerar também uma
cartilha para os profissionais, reveste-se de um teor literário e
estético que coloca a actividade artística, sobretudo a pintura, ao
nível do pensamento filosófico. [Sara Antónia Matos]
Não é fácil o autor falar da sua própria
pintura, mesmo olhando-a «com olhos frios», como um «intruso», já
que, segundo o pintor-escritor, «a pintura começa onde já não se pode
falar dela, onde as palavras fracassam e vogam à deriva». Este livro não
é a resposta à pergunta nunca feita («E que pensa você de si mesmo?»)
mas uma deambulação, ou preferencialmente «uma ruminação no vazio», que é
a decomposição das imagens pela palavra. […] Partindo da sua obra, a
«imagem deu origem a outras imagens» em «sucessivos encaixes ou
desencaixes», até atingir as raízes da arte contemporânea. Passando por
Bacon, para dissecar Matisse e Cézanne, o pintor-escritor escapa do
vazio da palavra-discurso, para analisar «o diálogo entre o que o pintor
quer e o que o pintor faz». Neste itinerário literário, o artista
expôs-se a numerosos perigos, mas, tal como um «herói da ficção»,
escapou ao perigo da autocontemplação, ou ao deserto da
análise-vazio-estético. E tudo termina bem quando reconhece «a paixão do
pintor: quotidiana partida do mundo (partida no sentido de pregar
partidas?). Rito solitário, festa mistério, calvário, droga, bebedeira.
Merda para os pintores aplicados (eu incluído)». [Osvaldo de Sousa, «Da cegueira dos pintores», in Diário de Notícias, supl. «Cultura», Lisboa, 1986]
Sinopse
Não é fácil o autor falar da sua própria pintura, mesmo olhando-a «com olhos frios», como um «intruso», já que, segundo o pintor-escritor, «a pintura começa onde já não se pode falar dela, onde as palavras fracassam e vogam à deriva». Este livro não é a resposta à pergunta nunca feita («E que pensa você de si mesmo?») mas uma deambulação, ou preferencialmente «uma ruminação no vazio», que é a decomposição das imagens pela palavra. […] Partindo da sua obra, a «imagem deu origem a outras imagens» em «sucessivos encaixes ou desencaixes», até atingir as raízes da arte contemporânea. Passando por Bacon, para dissecar Matisse e Cézanne, o pintor-escritor escapa do vazio da palavra-discurso, para analisar «o diálogo entre o que o pintor quer e o que o pintor faz». Neste itinerário literário, o artista expôs-se a numerosos perigos, mas, tal como um «herói da ficção», escapou ao perigo da autocontemplação, ou ao deserto da análise-vazio-estético. E tudo termina bem quando reconhece «a paixão do pintor: quotidiana partida do mundo (partida no sentido de pregar partidas?). Rito solitário, festa mistério, calvário, droga, bebedeira. Merda para os pintores aplicados (eu incluído)». [Osvaldo de Sousa, «Da cegueira dos pintores», in Diário de Notícias, supl. «Cultura», Lisboa, 1986]
Ficha Técnica
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