A publicação dos textos críticos de Júlio
Pomar procura trazer ao conhecimento do público uma parte fundamental da
sua obra, muitas vezes esquecida em detrimento dos seus desenhos e
pinturas. Os textos críticos que produziu, o pensamento que neles se
materializa, certificam o autor, não apenas como artista, mas também
como um sujeito da escrita e um agente profundamente inquieto que não
evita tomar posições. A edição em três volumes abrange os primeiros
textos, tinha o artista 16 anos de idade, passando pela sua fase
madura, indo até ao último texto, escrito em 2013. Notas Sobre uma Arte Útil, Parte Escrita I (1942-1960); Da Cegueira dos Pintores, Parte Escrita II (1985); Temas e Variações, Parte Escrita III (1968-2013),
dão a conhecer o pensamento crítico do pintor, as relações que o
artista estabeleceu com as obras dos seus pares, com a história da arte,
mostrando que os desenvolvimentos da arte moderna não se produzem
isoladamente. Particularmente, Notas Sobre uma Arte Útil, este primeiro volume da Parte Escrita,
abarca textos de teor político, incluindo os do período neo-realista,
escritos até 1960 (momento em que o artista parte para Paris), nos quais
se evidencia uma vinculação da arte à utilidade. A arte e a escrita
têm, entre outros, o propósito da denúncia, da resistência, do
comentário social e de veicular correntes ideológicas. [Sara Antónia Matos]
Sinopse
Ficha Técnica
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