A cidade de dentro é sonho e fantasia, aspiração e desejo. Nela, as
ruas «estão já dentro de mim» (Jorge Luís Borges). É contentamento,
nostalgia e raiva. Ilusão (ou desilusão), inconformismo ou renúncia.
Paixão e sentimento, desencanto e expectativa. A cidade de dentro é
contínuo desencontro entre o que temos e o que gostaríamos de ter. Entre
o projecto e o inconcretizado, o que estava para ser feito e o que
ficou por fazer. É frivolidade e angústia, aspiração e renúncia do
irremediavelmente ausente (não já a sonoridade do trompete, tocado na
Praça por um músico ambulante, mas os ecos da infância que ele nos
evoca, na lembrança dos dias de leite e mel dos circos de rua na
Cordoaria). A cidade de dentro é uma canção triste («j’aimerais te faire
une chanson légère», Bernie Beaupère), uma despedida constante (de
nós). Um adeus ao que vamos deixando para trás. A cidade de dentro é um
grito. É um alerta pelo que muda e não devia mudar (e, nesse caso,
significa destruição, agressão, esquecimento e, quando não, desprezo),
ou um brado de insatisfação pela inexistência, lentidão ou apagamento da
mudança longamente ansiada.
Sinopse
Ficha Técnica
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