Quando Camus publicou "O Homem Revoltado", em 1951, a Guerra Fria estava no seu auge. Políticos e intelectuais tomavam posições inconciliáveis, escolhendo o seu campo entre dois antagonistas que nada parecia aproximar. O livro, como não podia deixar de ser, suscitou uma polémica imensa, em que todos os argumentos, mesmo os mais infames, foram invocados. P. H. Simon, crítico literário, democrata-cristão de esquerda, resumiria alguns anos mais tardeas críticas da intelligentsia: "ineficácia, colaboração envergonhada com a defesa do capitalismo". Les Temps Modernes, a revista dos existencialistas, encarregou Francis Jeanson de fazer o enterro solene da obra e do seu autor: "você não se situa à direita, Camus, você paira no ar...". E Sartre, por sua vez, como sempre, não mastigaria as palavras: "A sua personalidade que foi real e viva enquanto os acontecimentos a alimentavam tornou-se uma miragem, em 1944 era o futuro, em 1952 é já o passado".O que é que, neste livro, teria justificado tanta animosidade, tanto ódio incontido? Um homem revoltado, explicava Camus, logo na abertura da primeira parte, é "um homem que diz não". Ora esse "não", que durante muito tempo fora uma recusa metafísica, e que depois se volvera em revolta histórica, conduziria o próprio Camus à descoberta daquilo que ele considerava "a única regra original de hoje: aprender a viver e a morrer e, para ser homem, recusar ser deus". Os deuses do seu tempo, porém, não eram os deuses dos altares: eram os que, em nome de uma determinada ideia do futuro, estavam dispostos a sacrificar metade da humanidade na pira dos "crimes lógicos". Eram, em suma, os ídolosda ideologia, que Camus tão bem descreve nesta sua obra. Foram esses que não lhe perdoaram.
Sinopse
Quando Camus publicou "O Homem Revoltado", em 1951, a Guerra Fria estava no seu auge. Políticos e intelectuais tomavam posições inconciliáveis, escolhendo o seu campo entre dois antagonistas que nada parecia aproximar. O livro, como não podia deixar de ser, suscitou uma polémica imensa, em que todos os argumentos, mesmo os mais infames, foram invocados. P. H. Simon, crítico literário, democrata-cristão de esquerda, resumiria alguns anos mais tardeas críticas da intelligentsia: "ineficácia, colaboração envergonhada com a defesa do capitalismo". Les Temps Modernes, a revista dos existencialistas, encarregou Francis Jeanson de fazer o enterro solene da obra e do seu autor: "você não se situa à direita, Camus, você paira no ar...". E Sartre, por sua vez, como sempre, não mastigaria as palavras: "A sua personalidade que foi real e viva enquanto os acontecimentos a alimentavam tornou-se uma miragem, em 1944 era o futuro, em 1952 é já o passado".O que é que, neste livro, teria justificado tanta animosidade, tanto ódio incontido? Um homem revoltado, explicava Camus, logo na abertura da primeira parte, é "um homem que diz não". Ora esse "não", que durante muito tempo fora uma recusa metafísica, e que depois se volvera em revolta histórica, conduziria o próprio Camus à descoberta daquilo que ele considerava "a única regra original de hoje: aprender a viver e a morrer e, para ser homem, recusar ser deus". Os deuses do seu tempo, porém, não eram os deuses dos altares: eram os que, em nome de uma determinada ideia do futuro, estavam dispostos a sacrificar metade da humanidade na pira dos "crimes lógicos". Eram, em suma, os ídolosda ideologia, que Camus tão bem descreve nesta sua obra. Foram esses que não lhe perdoaram.Ficha Técnica
- Actualmente 0 estrelas
- 1
- 2
- 3
- 4
- 5
(0 comentários dos leitores)