«Shakespeare mostra desde as primeiras palavras de Macbeth, que o seu
herói é vítima de uma agressão tão difícil de combater como pesada de
consequências. Ele era, dizem-nos, a lealdade, a coragem, mas eis que as
forças do mal decidem ali, diante de nós, sobre o próprio palco,
implicá-lo num plano que o ultrapassa, já que se trata nem mais nem
menos que do destino de uma dinastia que está ainda no poder na Escócia e
em Inglaterra quando a peça é escrita. (…) O facto de se desencadearem
contra Macbeth, que tenha sido desta alma que decidiram apoderar-se, e
que possam tê-lo induzido aos seus projectos criminosos provando-lhe que
têm o dom de adivinhar o futuro, é de qualquer modo um singular azar
para este obscuro chefe de clã. É verdade que os três demónios que o
prendem assim na sua armadilha só podem triunfar sobre a sua vontade
porque há nesta uma falha, virtual ou já real: com Shakespeare, e apesar
dos restos de paganismo que ele é capaz de perceber na Escócia, estamos
no mundo cristão do livre arbítrio em que o diabo tem grande poder mas
em limites precisos. Macbeth, que sucumbe tão facilmente e que tão
depressa vai tornar-se uma figura negra, não pode ter sido antes da
acção começar um verdadeiro justo e uma alma pura. Mas a escolha de que
foi objecto aumentou o perigo em que se encontra, desloca o nosso olhar
de um nível do mal para outro, mais interior e menos perceptível (…) que
a simples vulgar ambição ou o gosto pela rapina ou a morte. Macbeth não
é inocente, mas foi no início uma alma tão insidiosamente afectada que
não sabia sequer que era culpada.» Yves Bonnefoy
Poeta e dramaturgo inglês nascido em 1564, em Stratford-Upon-Avon, e falecido em 1616. O seu aniversário é comemorado a 23 de Abril e sabe-se que foi baptizado a...
Sinopse
Yves Bonnefoy
Ficha Técnica
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