Dobra Fechar

Dobra

Poesia Reunida

De: Adília Lopes

  • Actualmente estrelas
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5
 
€ 40,00
 
Expedição prevista no prazo de 4 a 6 dias úteis
  • em Portugal. V. condições de entrega para envios internacionais. Sujeita a confirmação de disponibilidade na respectiva editora.
 
 

Sinopse

HAVERÁ UMA BELEZA QUE NOS SALVE?»Não, não há uma beleza que nos salve. Só a bondade nos salva. E a bondade manifesta-se, por vezes, no meio da maior fealdade.Explico-me. Uma pessoa capaz de actos de bondade, uma pessoa com bom coração, pode ter uma cara que é considerada feia, pode vestir-sede uma maneira que é considerada pirosa, pode ter tido notas medíocres, pode ser um artista medíocre. Quando visitamos um museu com obras belíssimas, como o Louvre ou o Prado, podemo-nos esquecer de que as pessoas, os visitantes e os funcionários que estão lá connosco, são obras mais belas do que as mais belas obras expostas que andamos a ver. Um artista torturado pela beleza que consegue, ou que não consegue,dar ao que pinta e que se autodestrói está equivocado. Seria preferível deixar de pintar ou pintar obras medíocres. Como dizia o meu avô materno,que era médico, «mais vale burro vivo do que sábio morto». Se a busca da beleza nos impede de viver, então há é uma beleza que nosperde. E há.Penso que não nos devemos enganar sobre a beleza. Se a nossa obra artística, ou outra, não implica a renúncia às coisas inúteis e a partilha, então é bastante inútil. E as coisas inúteis, para uma poetisa, são o desejo de escrever obras perfeitas e o de ser reconhecida pelos seus pares. Roubei à Irmã Emmanuelle a expressão «renúncia às coisas inúteis e partilha» («renonce aux choses inutiles et partage», in Famille chrétienne, Numéro hors série, été 2004, p. 6). Se não há partilha, o artista é quase tão aberrante como um padre que celebrasse a missa só para si. Os artistas são, às vezes, muito egoístas. É verdade que as suas obras, apesar disso, podem comunicar—mas será involuntariamente?—bons sentimentos. A arte está cheia de ódio, de maus sentimentos. Parece que estou a dizer mal da arte e não queria fazer isso. No Natal, uma amiga mandou-me um cartão de boas festas da Unicef com um Anjo da Anunciação de Fra Angelico. Tenho-o em exposição no meu quarto e, quando quero rezar, olho para ele. Mas não sou contemporânea de Fra Angelico. Não posso tomar café e tagarelarcom ele nos cafés como posso fazer com a amiga que me enviou o anjo dele pelo Correio. Por isso o Anjo da Anunciação de Fra Angelico, que é tão bonito, pode também ser doloroso. Fra Angelico já morreu. E não é a beleza do anjo de Fra Angelico que me garante que Fra Angelico ressuscitará. Um poema de Rimbaud está cheio de violência. Há muita beleza na expressão dessa violência. E isto é terrível. Preferia que Rimbaud não estivesse ferido a ponto de escrever daquela maneira? Preferia. Mas não posso dizer isto assim. A arte é feita para construir a paz. Não é um esgrimir no vazio. Não pode ser. Olho para o Anjo da Anunciação de Fra Angelico. Parece--me belíssimo. É vermelho e dourado. É verde e azul. Mas, ao escrever assim, parece-me que estou a evocar o poema de Rimbaud intitulado«Voyelles». A arte é um modo de lidar com a ausência. E por isso é tão preciosa e tão perigosa. Nunca é a alegria da presença.  

Ficha Técnica

  • Editora: Assírio & Alvim
  • Colecção: Documenta Poetica
  • Data de Publicação: 2009
  • Encadernação: Capa Mole - 688 páginas páginas
  • Idioma: Português
  • ISBN: 9789723713497
  • Dimensões do livro: 160 x 240 mm
  • Avaliação média dos leitores:
    • Actualmente 0 estrelas
    • 1
    • 2
    • 3
    • 4
    • 5
    (0 comentários dos leitores)
  • Observações: Este livro que agora se apresenta, Dobra, reúne todos os livros poesia publicados por Adília Lopes até à data.
 
 

Comentários

Para comentar precisa de estar registado

Se encontrou conteúdo errado ou ofensivo nesta página envie-nos um e-mail.

CONHECER O AUTOR

Adília Lopes

Adília Lopes, pseudónimo literário de Maria José da Silva...
Saber mais »

LIVROS DO MESMO AUTOR

  1. Caras Baratas   € 16,15  
  2. O Poeta de Pondichéry   € 14,41  
  3. César a César   € 12,69  
  4. Manhã   € 13,30  
Ver todos

LIVROS DA MESMA EDITORA

  1. Aves de Portugal Aves de Portugal   € 38,00  
  2. Belo. À Minha Alma. Sempre. Terra Proibida   € 18,00  
Ver todos

Partilhar por e-mail Fechar

 
 
 
 
Livro adicionado ao carrinho
De momento, este livro não está disponível para encomenda.