«Neste livro há umcartoon doMaia comumfamosíssimomaço de cigarros francês. Está lá o azul conhecido, a volúpia da espiral de fumo branco e, até, amarca: «Gitanes».Mas umpormenor foimodificado: a estilizada dançarina sevilhana commantilha e pandeireta foi substituída por umgendarme.Umpolícia francês, como nosmostra o képi celebrizado pelos filmes de Louis de Funès. E um polícia mauzão que ordena, dedo apontado, a expulsão de alguém…Se quiserem saber o que é um cartoon, eis um, muito bom, este doMaia. Está lá tudo. O piscar de olho à nossa memória, aos nossos conhecimentos (uma marca que é um ícone); a pirueta que desvirtua o que julgávamos saber (afinal não é sobre os cigarros); e o soco da denúncia: os «gitanes» que se fala ali, no cartoon, são os ciganos (gitans, em francês) que foram expulsos para a Roménia. Este livro é de seis tipos sortudos a quemnunca faltamatéria-prima para trabalhar. Foi assimem2010 e há razões para suspeitar que ainda vai sermais em2011.Não são pedreiros semobras, não são torneirosmecânicos de fábricas que fecham, nembancários semdinheiro para emprestar... São cartoonistas, isto é, têmassuntos embarda: eles vivem da farta fruta da época, o mal dos outros. Não sem razão, metade destas páginas são dedicadas à «crise europeia » e, sobretudo, à «crise nacional».Mas, sejamos justos, a relação que os cartoonistas têmcoma infelicidade alheia não é de aproveitadores—a sua função social estámais próxima dos cães que detectamsobreviventes nas avalanches, do que de administradores do BPN.Os cartoonistas pegamemnós, enlameados, espantados, tolhidos (emcrise, enfim) e tentamdar-nos de novo o sopro da vida.Os são-bernardo trazem-nos umgolo de conhaque, os cartoonistas, umsorriso.Quantomais amargo,melhor.Nada pior do que continuarmos satisfeitinhos da silva emtempo de crise.» Ferreira Fernandes
Sinopse
«Neste livro há umcartoon doMaia comumfamosíssimomaço de cigarros francês. Está lá o azul conhecido, a volúpia da espiral de fumo branco e, até, amarca: «Gitanes».Mas umpormenor foimodificado: a estilizada dançarina sevilhana commantilha e pandeireta foi substituída por umgendarme.Umpolícia francês, como nosmostra o képi celebrizado pelos filmes de Louis de Funès. E um polícia mauzão que ordena, dedo apontado, a expulsão de alguém…Se quiserem saber o que é um cartoon, eis um, muito bom, este doMaia. Está lá tudo. O piscar de olho à nossa memória, aos nossos conhecimentos (uma marca que é um ícone); a pirueta que desvirtua o que julgávamos saber (afinal não é sobre os cigarros); e o soco da denúncia: os «gitanes» que se fala ali, no cartoon, são os ciganos (gitans, em francês) que foram expulsos para a Roménia. Este livro é de seis tipos sortudos a quemnunca faltamatéria-prima para trabalhar. Foi assimem2010 e há razões para suspeitar que ainda vai sermais em2011.Não são pedreiros semobras, não são torneirosmecânicos de fábricas que fecham, nembancários semdinheiro para emprestar... São cartoonistas, isto é, têmassuntos embarda: eles vivem da farta fruta da época, o mal dos outros. Não sem razão, metade destas páginas são dedicadas à «crise europeia » e, sobretudo, à «crise nacional».Mas, sejamos justos, a relação que os cartoonistas têmcoma infelicidade alheia não é de aproveitadores—a sua função social estámais próxima dos cães que detectamsobreviventes nas avalanches, do que de administradores do BPN.Os cartoonistas pegamemnós, enlameados, espantados, tolhidos (emcrise, enfim) e tentamdar-nos de novo o sopro da vida.Os são-bernardo trazem-nos umgolo de conhaque, os cartoonistas, umsorriso.Quantomais amargo,melhor.Nada pior do que continuarmos satisfeitinhos da silva emtempo de crise.»
Ferreira Fernandes
Ficha Técnica
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