«Quando soube que não sobreviveria à doença e que não poderia continuar a caminhar no vasto campo em frente de sua casa, o caçador que gostava de flores pediu misericórdia, que o matassem depressa, por favor. Morreu numa cama sem dizer últimas palavras de significado e nesse dia nasceu no quintal um cachorro que nunca viria a ser cão de caça; foi então levado para um caixão e velado no centro da sua sala, os pássaros empalhados com as asas abertas olhando‑o de cima do armário. Na varanda, com vista para a terra que tinha sido a sua maior alegria e que supunha ir gozar em pleno na velhice, tinha o vaso preferido que deu ainda flor na Primavera após a sua morte.»
Agora e na Hora da Nossa Morte é o resultado da viagem que Susana
Moreira Marques, acompanhada pelo fotógrafo André Cepeda, fez a
Trás-os-Montes para seguir um projecto de prestação de cuidados
paliativos em casa, apoiado pela Fundação Calouste Gulbenkian.
De
aldeia em aldeia - numa paisagem marcada por grandes distâncias, as
águias sobrevoando as estradas, e o Douro como fronteira - encontramos
pessoas com pouco tempo de vida, familiares que dormem à cabeceira de
camas, e o vazio deixado pelos que morrem.
Num registo que mistura reportagem, ensaio, entrevista e diário de viagem, Agora e na Hora da Nossa Morte
leva-nos para o lugar onde Portugal acaba e é esquecido, onde todo um
modo de vida está em vias de desaparecer. É aí, num tempo de fim, num
tempo de urgência, que - perante o sofrimento da doença, a solidão da
velhice e a nossa mortalidade - começamos a perceber o que é importante.
Sinopse
De aldeia em aldeia - numa paisagem marcada por grandes distâncias, as águias sobrevoando as estradas, e o Douro como fronteira - encontramos pessoas com pouco tempo de vida, familiares que dormem à cabeceira de camas, e o vazio deixado pelos que morrem.
Num registo que mistura reportagem, ensaio, entrevista e diário de viagem, Agora e na Hora da Nossa Morte leva-nos para o lugar onde Portugal acaba e é esquecido, onde todo um modo de vida está em vias de desaparecer. É aí, num tempo de fim, num tempo de urgência, que - perante o sofrimento da doença, a solidão da velhice e a nossa mortalidade - começamos a perceber o que é importante.
Ficha Técnica
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