Curiosamente, muitas das personagens incluídas neste volume morreram do coração. Atravessaram guerras, abraçaram ideais, revoltaram-se, participaram, desiludiram-se. De uma forma ou de outra, os seus percursos atormentados aproximaram-nas do essencial. Podemos segui-los linha a linha nos livros e documentos que deixaram. Imperativo comum: usar das palavras como modo de vida. Depois, cada um descobriu a sua própria gramática para essa relação. Por exemplo, Patricia Highsmith associava a escrita ao prazer, que incluía também cigarros, café, bolinhos. Charles Dickens estabeleceu para si uma disciplina rígida, separando as intensas horas a escrever dos momentos de lazer com que tentava apaziguar demónios interiores. Alberto Moravia começou por escrever na cama, com o tinteiro aninhado sobre os lençóis. Sommerset Maugham trabalhava de preferência diante de uma parede branca. Marina Tsvetaeva escrevia a qualquer mesa, em qualquer lugar. Tal como John Steinbeck, que chegava a trabalhar dez horas por dia numa escrivaninha qualquer. Isaac Asimov matraqueava as teclas da sua máquina de escrever a uma velocidade imbatível, desde madrugada até à noitinha. Fiódor Dostoiévski até numa prisão na Sibéria tomou notas que depois converteu em romance. E Oscar Wilde escreveu também na prisão, entre trabalhos forçados. Tal como os volumes anteriores, À Beira do Abismo (2005) e Beleza Interior (2006), este terceiro volume de biografias seleccionadas entre as publicadas ao longo de cinco anos na revista XIS poderia, naturalmente, dispensar uns nomes e incluir outros. Seria sempre, no entanto, uma lista arbitrária. Com o mesmo denominador comum: a vertigem que extraímos do conjunto, as diversas paixões da alma, as perplexidades da condição humana, a persistência da memória. “Estes retratos de gente que lidou e trabalhou com palavras e viveu em função do poder que as palavras (e, em certa medida, a literatura, na sua maioria) conferiam, revelam-nos vidas múltiplas, vidas estilhaçadas, vidas perfeitas ou incompletas, vidas perturbadas e intranquilas.” Francisco José Viegas
Sinopse
Curiosamente, muitas das personagens incluídas neste volume morreram do coração. Atravessaram guerras, abraçaram ideais, revoltaram-se, participaram, desiludiram-se. De uma forma ou de outra, os seus percursos atormentados aproximaram-nas do essencial. Podemos segui-los linha a linha nos livros e documentos que deixaram. Imperativo comum: usar das palavras como modo de vida. Depois, cada um descobriu a sua própria gramática para essa relação. Por exemplo, Patricia Highsmith associava a escrita ao prazer, que incluía também cigarros, café, bolinhos. Charles Dickens estabeleceu para si uma disciplina rígida, separando as intensas horas a escrever dos momentos de lazer com que tentava apaziguar demónios interiores. Alberto Moravia começou por escrever na cama, com o tinteiro aninhado sobre os lençóis. Sommerset Maugham trabalhava de preferência diante de uma parede branca. Marina Tsvetaeva escrevia a qualquer mesa, em qualquer lugar. Tal como John Steinbeck, que chegava a trabalhar dez horas por dia numa escrivaninha qualquer. Isaac Asimov matraqueava as teclas da sua máquina de escrever a uma velocidade imbatível, desde madrugada até à noitinha. Fiódor Dostoiévski até numa prisão na Sibéria tomou notas que depois converteu em romance. E Oscar Wilde escreveu também na prisão, entre trabalhos forçados. Tal como os volumes anteriores, À Beira do Abismo (2005) e Beleza Interior (2006), este terceiro volume de biografias seleccionadas entre as publicadas ao longo de cinco anos na revista XIS poderia, naturalmente, dispensar uns nomes e incluir outros. Seria sempre, no entanto, uma lista arbitrária. Com o mesmo denominador comum: a vertigem que extraímos do conjunto, as diversas paixões da alma, as perplexidades da condição humana, a persistência da memória. “Estes retratos de gente que lidou e trabalhou com palavras e viveu em função do poder que as palavras (e, em certa medida, a literatura, na sua maioria) conferiam, revelam-nos vidas múltiplas, vidas estilhaçadas, vidas perfeitas ou incompletas, vidas perturbadas e intranquilas.” Francisco José ViegasFicha Técnica
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