Editada pela Fundação Calouste Gulbenkian, eis esta
obra fundamental de Platão que tem por título "A República", obra essa
que, como sempre, nos Diálogos do grande filósofo ateniense, é
personagem de relevo a eminente figura do pensamento helénico que tem
por nome Sócrates. A abonar tão portentoso trabalho, a introdução,
tradução - feita directamente do grego - e notas, são da autoria de
Maria Helena Rocha Pereira que, licenciada em Filologia Clássica pela
Universidade de Coimbra, se notabilizou não só como ilustre Professora
Catedrática, mas ainda na qualidade de Directora da revista Biblos, que
tanto contribuiu para a difusão da cultura entre nós.
Quanto ao
presente Diálogo de Platão, nele se trata da estrutura do Estado utópico
por ele idealizado, o qual assenta na sua ideia de absoluto
poeticamente expressa no "mito da comuna". Embora se torne impossível
dar aqui nem que seja uma breve ideia de tão complexa e vasta obra
adianto, mesmo assim, parte do que escrevi em 1947 na minha tese de
licenciatura em Ciências Histórico-Filosóficas, que tem por título
"Platão e a Poética": ...A República idealizada por Platão seria,
afinal, um estado autoritário, onde os cidadãos ocupariam, sucessiva e
rigidamente, os degraus de uma escada cujo topo correspondia ao puro
saber teórico e a base às actividades práticas e manuais. Assim,
teríamos de cima para baixo: filósofos, políticos e negociantes,
ginastas e médicos, adivinhos, poetas e todos os imitadores, artífices e
agricultores, sofistas e todos os aduladores do povo, finalmente
tiranos. Porque destinaria Platão o oitavo lugar - ainda abaixo do
agricultor - ao sofista, e o apodava de adulador do povo? Sem dúvida
porque este, divulgando a cultura, ministrava aos grandes auditórios um
ensino essencialmente prático que lhes permitia ascender na escada
económica e social, furtando-se assim à hegemonia da elite pensante.
Em resumo:
A "República", as "Leis", as "Cartas" e
as três malogradas viagens a Siracusa revelam bem o seu desejo de
fundar este Estado, à frente do qual deveria colocar-se a filosofia.
Para ele, só o filósofo, o homem de ciência, de intenções teoréticas,
poderia bem governar os outros homens. Quer dizer, administrando,
possuindo a terra e as fontes de produção, erguer-se-ia uma minoritária
elite de pensadores; servindo, arando e fabricando, formigaria a
população, a quem seria, na sua maior parte, vedada a luz da cultura,
única via emancipadora. Será desnecessário dizer-se, por conseguinte,
que se trata de uma obra fundamentalíssima tanto para estudiosos de
Filosofia, como para todas as pessoas cultas em geral.
Platão é com Aristóteles uma das referências fundamentais do pensamento ocidental. Platão, como diz François Châtelet inventou a Filosofia: «definiu o que a...
Sinopse
Quanto ao presente Diálogo de Platão, nele se trata da estrutura do Estado utópico por ele idealizado, o qual assenta na sua ideia de absoluto poeticamente expressa no "mito da comuna". Embora se torne impossível dar aqui nem que seja uma breve ideia de tão complexa e vasta obra adianto, mesmo assim, parte do que escrevi em 1947 na minha tese de licenciatura em Ciências Histórico-Filosóficas, que tem por título "Platão e a Poética": ...A República idealizada por Platão seria, afinal, um estado autoritário, onde os cidadãos ocupariam, sucessiva e rigidamente, os degraus de uma escada cujo topo correspondia ao puro saber teórico e a base às actividades práticas e manuais. Assim, teríamos de cima para baixo: filósofos, políticos e negociantes, ginastas e médicos, adivinhos, poetas e todos os imitadores, artífices e agricultores, sofistas e todos os aduladores do povo, finalmente tiranos. Porque destinaria Platão o oitavo lugar - ainda abaixo do agricultor - ao sofista, e o apodava de adulador do povo? Sem dúvida porque este, divulgando a cultura, ministrava aos grandes auditórios um ensino essencialmente prático que lhes permitia ascender na escada económica e social, furtando-se assim à hegemonia da elite pensante.
Em resumo:
A "República", as "Leis", as "Cartas" e as três malogradas viagens a Siracusa revelam bem o seu desejo de fundar este Estado, à frente do qual deveria colocar-se a filosofia. Para ele, só o filósofo, o homem de ciência, de intenções teoréticas, poderia bem governar os outros homens. Quer dizer, administrando, possuindo a terra e as fontes de produção, erguer-se-ia uma minoritária elite de pensadores; servindo, arando e fabricando, formigaria a população, a quem seria, na sua maior parte, vedada a luz da cultura, única via emancipadora. Será desnecessário dizer-se, por conseguinte, que se trata de uma obra fundamentalíssima tanto para estudiosos de Filosofia, como para todas as pessoas cultas em geral.
Ficha Técnica
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