Arkuwar’, ‘malduwar’, ‘mugawar’, ‘talliyawar’, ‘walliyatar’. Crê-se que as línguas indo-europeias prolongam étimos assim, rebuscam em longínquas sonoridades, por pronúncias que nem parecem humanas, tal o amplexo cósmico em que respiram, acessos possíveis à complexa fenomenologia da oração. ‘Arkuwar’ aproxima-se ao ‘arguere’ ou ao ‘argumentum’ latinos. E a oração entende-se como discursividade, desenho retórico, eloquência. ‘Mugawar’ remonta ao radical ‘meug-’ , que no latim se reencontra talvez em ‘movére’, e refere o trânsito, ritual e existencial, que a prece instaura. De ‘walliyatar’ derivam termos que nos são próximos, como ‘valére’ ou ‘validus’. Mas ‘Wal-’ designa, sobretudo, o objecto do canto, o louvável, e por isso a oração, não raro, vibra perto, ou dentro, ou ainda mais dentro, da musical natureza de um poema.A oração como tópico humano fundamental solicita esse esforço de aproximação ao profuso. É um acto identificador das várias tradições espirituais, e que remete necessariamente para o contexto vital e programático de cada uma delas. Mas, ao mesmo tempo, é uma construção diferenciada de géneros, categorias, detalhes, especificidades. Para sondar o seu sentido é preciso reclamar pela história, pela teologia e psicologia do sentimento religioso, há que perscrutar a geografia original em que o orante se inscreve, a gestualidade e simbólica litúrgicas que veicula, as gramáticas da sua modulação do tempo, as escolas de oração que o iniciam, bem como a solidão, a extrema solidão que, depois, é a via nítida da prece, deve-se percorrer, demoradamente, esse monumental repositório que é a literatura religiosa, muitas vezes olhada como produção menor, quando, sem ela, também nos seria impossível explicar que coisa é a literatura ou até o Homem.Uma bela edição, com selecção e tradução de textos de Armando Silva Carvalho e José Tolentino Mendonça.
Sinopse
Arkuwar’, ‘malduwar’, ‘mugawar’, ‘talliyawar’, ‘walliyatar’. Crê-se que as línguas indo-europeias prolongam étimos assim, rebuscam em longínquas sonoridades, por pronúncias que nem parecem humanas, tal o amplexo cósmico em que respiram, acessos possíveis à complexa fenomenologia da oração. ‘Arkuwar’ aproxima-se ao ‘arguere’ ou ao ‘argumentum’ latinos. E a oração entende-se como discursividade, desenho retórico, eloquência. ‘Mugawar’ remonta ao radical ‘meug-’ , que no latim se reencontra talvez em ‘movére’, e refere o trânsito, ritual e existencial, que a prece instaura. De ‘walliyatar’ derivam termos que nos são próximos, como ‘valére’ ou ‘validus’. Mas ‘Wal-’ designa, sobretudo, o objecto do canto, o louvável, e por isso a oração, não raro, vibra perto, ou dentro, ou ainda mais dentro, da musical natureza de um poema.A oração como tópico humano fundamental solicita esse esforço de aproximação ao profuso. É um acto identificador das várias tradições espirituais, e que remete necessariamente para o contexto vital e programático de cada uma delas. Mas, ao mesmo tempo, é uma construção diferenciada de géneros, categorias, detalhes, especificidades. Para sondar o seu sentido é preciso reclamar pela história, pela teologia e psicologia do sentimento religioso, há que perscrutar a geografia original em que o orante se inscreve, a gestualidade e simbólica litúrgicas que veicula, as gramáticas da sua modulação do tempo, as escolas de oração que o iniciam, bem como a solidão, a extrema solidão que, depois, é a via nítida da prece, deve-se percorrer, demoradamente, esse monumental repositório que é a literatura religiosa, muitas vezes olhada como produção menor, quando, sem ela, também nos seria impossível explicar que coisa é a literatura ou até o Homem.Uma bela edição, com selecção e tradução de textos de Armando Silva Carvalho e José Tolentino Mendonça.Ficha Técnica
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