«[…] Léon Bloy foi dos que fizeram justiça ao seu rasto de fogo nas letras francesas: “Até ele aparecer, nenhum romancista excitou tão perigosamente a mucosa dos magistrados mais austeros”; e acrescentava que era sua, a verdadeira “monografia do Crime e da Felicidade nos braços do crime”. Tratava-se, como é evidente, de uma referência directa a esta novela que fica como excelente exemplo da prosa e das obsessõesmais persistentes da obra ficcionada de Barbey d’Aurevilly, escrita para figurar entre as suas seis “diabólicas”, seis mulheres saídas do que pode a Eva bíblica dar de mais misógino e destruidor. ÀHauteclaire de “A Felicidade no Crime” cabe a glória do êxito altivo contra umescândalo onde só a vítima do crime tem castigo; onde a única angústia é da mulher que se sente traída, na sua aristocracia, pela vitória fria de uma plebeia. Era umjogo inaceitável numa época formada por romances de crimes punidos, e teve o preço de uma condenação.Mas D’Aurevilly viveu o suficiente para assistir, sete anos antes da sua morte, à reabilitação comercial de Les Diaboliques concedida ao velho autor septagenário que a Terceira República resolvia homenagear; e fazia-o no mesmo ano em que era publicado o seu maior êxito como escritor: Uma História Sem Nome, com um título que se negava a si próprio, nem diabólica, nem cesleste, mas…sem nome, dizia a sua epígrafe, talvez para não fazer desde logo pressentir o que as suas capacidades de romancista, intactas, sabiamimaginar para umgrandioso horror da culpabilidade sexual e dos enigmas da sua redenção.»
Sinopse
«[…] Léon Bloy foi dos que fizeram justiça ao seu rasto de fogo nas letras francesas: “Até ele aparecer, nenhum romancista excitou tão perigosamente a mucosa dos magistrados mais austeros”; e acrescentava que era sua, a verdadeira “monografia do Crime e da Felicidade nos braços do crime”. Tratava-se, como é evidente, de uma referência directa a esta novela que fica como excelente exemplo da prosa e das obsessõesmais persistentes da obra ficcionada de Barbey d’Aurevilly, escrita para figurar entre as suas seis “diabólicas”, seis mulheres saídas do que pode a Eva bíblica dar de mais misógino e destruidor. ÀHauteclaire de “A Felicidade no Crime” cabe a glória do êxito altivo contra umescândalo onde só a vítima do crime tem castigo; onde a única angústia é da mulher que se sente traída, na sua aristocracia, pela vitória fria de uma plebeia. Era umjogo inaceitável numa época formada por romances de crimes punidos, e teve o preço de uma condenação.Mas D’Aurevilly viveu o suficiente para assistir, sete anos antes da sua morte, à reabilitação comercial de Les Diaboliques concedida ao velho autor septagenário que a Terceira República resolvia homenagear; e fazia-o no mesmo ano em que era publicado o seu maior êxito como escritor: Uma História Sem Nome, com um título que se negava a si próprio, nem diabólica, nem cesleste, mas…sem nome, dizia a sua epígrafe, talvez para não fazer desde logo pressentir o que as suas capacidades de romancista, intactas, sabiamimaginar para umgrandioso horror da culpabilidade sexual e
dos enigmas da sua redenção.»
Ficha Técnica
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