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Mónica Silva:
Esta obra narra a história, situada na América do Sul, da família Trueba, cuja matriarca, Clara, possui poderes paranormais, estando a sua vida repleta de misticismo. Assim, é neste cenário mágico que se desenrola toda a ação, após o casamento da jovem com Esteban Trueba, um homem com um temperamento imprevisível, do qual resultou Blanca e os gémeos Jaime e Nicolau. A terceira geração é marcada por Alba, fruto da relação, amaldiçoada por Esteban, de Blanca com Pedro Tercero Garcia, o filho do caseiro da fazenda do pai, sendo esta jovem uma síntese de todas as suas ancestrais, herdando a luta pelo amor de Blanca, a ajuda aos desfavorecidos e o gosto pela escrita de Clara e a defesa dos direitos humanos da sua bisavó, Nívea del Valle. Porém, em paralelo com esta sublime saga familiar, encontra-se o caos político que marcou o Chile no século XX, culminando no golpe militar de 1973, que acaba por acarretar consequências irreversíveis, abalando todos os constituintes desta família.
Esta obra consiste num drama familiar apaixonante, com marcas inequívocas do realismo mágico, sendo este um estilo característico de Isabel Allende. Nesta narrativa fantástica encontra-se patente uma alternância de narradores que acentua a vivacidade da história e a dinâmica entre as personagens, cujo desenvolvimento psicológico se coaduna perfeitamente com a fluidez do desenrolar da ação.
Da mesma forma, esta obra constitui uma sublime homenagem ao poder feminino, graças à autonomia e à defesa dos direitos das mulheres demonstradas por Clara, Blanca e Alba, perante uma sociedade predominantemente conservadora.
No entanto, como pano de fundo de toda a narrativa, destaca-se uma notável caracterização histórica, social e política do Chile durante a respetiva época. Este trágico conjunto de eventos, enquadrados nas ações dos Trueba, proporciona a esta obra um significado mais profundo, elevando-a a um nível brilhante de intriga sobre a traição, o ódio, a morte e, principalmente, as relações humanas.
Opinião originalmente publicada em: http://howtoliveathousandlives.blogspot.pt/2012/10/a-casa-dos-espiritos-de-isabel-allende.html 09 Novembro 2012 às 23:04:14
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Sinopse
O relato da vida de Esteban Trueba, da mulher, dos filhos legítimos e naturais, e dos netos vai levar-nos do começo do século até à actualidade, é toda uma dinastia de personagens à volta das quais a narrativa vai gravitando sem perder de vista os outros - mesmo depois de mortos. O temperamento colérico do fundador, a hipersensibilidade fantasista da sua mulher e a evolução social do país - que reflecte e pode muito bem simbolizar qualquer país latino-americano - tornam difíceis as relações familiares, marcadas pelo drama e a extravagância e conduzem a uni final surpreendente e cruel, que deixa no entanto aberto o caminho de uma trabalhosa reconciliação. No panorama da actual literatura hispano-americana, nennhum nome de mulher tinha conseguido até agora ocupar um lugar cimeiro. Faltava pois uma romancista. A impecável desenvoltura estilística, a lucidez histórica e social e a coerência estética, patentes em A Casa dos Espíritos fazem do primeiro romance de Isabel, um livro inesquecível.Ficha Técnica
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