Porque será que tão cedo se enraizou em mim o sentimento de que, se só a viagem — viagem sem ideia de regresso — nos abre as portas e pode alterar realmente a nossa vida, existe um sortilégio mais oculto, semelhante ao manejo de uma varinha mágica, ligado ao nosso passeio preferido, à excursão sem aventura ou imprevisto que em poucas horas nos conduz ao nosso ponto de apoio, à cerca da casa familiar? A segurança inalterada do regresso não está garantida a quem se aventura por entre campos de forças que a Terra mantém, de um modo singular para cada um de nós, sob tensão, mais do que no caso do beijo dos planetas”, tão caro a Goethe, há motivos para acreditar que esses campos de forças iluminam confusamente a linha da nossa vida. Por vezes, dir-se-ia que há em nós uma grelha, mais antiga do que nós, mas lacunar e como que perfurada, que decifra ao acaso desses passeios inspirados as linhas de força que virão a ser as linhas de episódios da nossa vida ainda por viver. Tal como um álbum de fotografias de família que folheamos ao acaso nos fala do nosso passado, mas de um passado simultaneamente expurgado dos seus acontecimentos vivos e contudo indizivelmente pessoal, transmitindo-nos ao mesmo tempo a sensação vital do contacto com a haste-mãe e a tonalidade esquisita, e ainda vagamente sorridente, do murcho, esses lugares erguem enigmaticamente um véu sobre o futuro: trazem com eles as cores da nossa vida, em contacto com essa terra que nos estava, em certo sentido, prometida, todas as nossas pregas se alisam como uma flor japonesa a abrir-se na água, sentimo-nos inexplicavelmente em terra de conhecimento, e como que no meio das figuras de uma família ainda por chegar.”
Sinopse
Porque será que tão cedo se enraizou em mim o sentimento de que, se só a viagem — viagem sem ideia de regresso — nos abre as portas e pode alterar realmente a nossa vida, existe um sortilégio mais oculto, semelhante ao manejo de uma varinha mágica, ligado ao nosso passeio preferido, à excursão sem aventura ou imprevisto que em poucas horas nos conduz ao nosso ponto de apoio, à cerca da casa familiar? A segurança inalterada do regresso não está garantida a quem se aventura por entre campos de forças que a Terra mantém, de um modo singular para cada um de nós, sob tensão, mais do que no caso do beijo dos planetas”, tão caro a Goethe, há motivos para acreditar que esses campos de forças iluminam confusamente a linha da nossa vida. Por vezes, dir-se-ia que há em nós uma grelha, mais antiga do que nós, mas lacunar e como que perfurada, que decifra ao acaso desses passeios inspirados as linhas de força que virão a ser as linhas de episódios da nossa vida ainda por viver. Tal como um álbum de fotografias de família que folheamos ao acaso nos fala do nosso passado, mas de um passado simultaneamente expurgado dos seus acontecimentos vivos e contudo indizivelmente pessoal, transmitindo-nos ao mesmo tempo a sensação vital do contacto com a haste-mãe e a tonalidade esquisita, e ainda vagamente sorridente, do murcho, esses lugares erguem enigmaticamente um véu sobre o futuro: trazem com eles as cores da nossa vida, em contacto com essa terra que nos estava, em certo sentido, prometida, todas as nossas pregas se alisam como uma flor japonesa a abrir-se na água, sentimo-nos inexplicavelmente em terra de conhecimento, e como que no meio das figuras de uma família ainda por chegar.”Ficha Técnica
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