[...] Se alguns julgam poder brandir este texto como um requisitório a favor dum regresso à literatura anódina, ao pequeno jogo literário”, prefiro avisá-los imediatamente que vão por mau caminho. Não se trata de regressar à literatura repousante, à literatura considerada como uma arte de amenizar, por pouco que seja, os lazeres de outrem”. O traço de mau humor que pode transparecer em certas linhas deste artigo visa, e preciso-o visto que parece ser necessário precisá-lo, não a literatura que pensa” (seria dar mostras duma excessiva ingenuidade), nem tão pouco a literatura que se compromete, mas muito exactamente uma certa metafísica da cátedra cuja injecção a frio na literatura parece-me geradora de precipitados indegestos. Quando digo que a literatura é desde há alguns anos vítima de uma formidável manobra de intimidação por parte do não-literário, e do não-literário mais agressivo”, desejo apenas chamar a atenção para o compromisso irrevogável do pensamento na forma que é a condição de toda a literatura: no domínio do sensível, este compromisso é inerente a toda a poesia, no domínio das ideias, dá-se-lhe o nome de tom, de estilo. [...]”(nota do autor)
Sinopse
[...] Se alguns julgam poder brandir este texto como um requisitório a favor dum regresso à literatura anódina, ao pequeno jogo literário”, prefiro avisá-los imediatamente que vão por mau caminho. Não se trata de regressar à literatura repousante, à literatura considerada como uma arte de amenizar, por pouco que seja, os lazeres de outrem”. O traço de mau humor que pode transparecer em certas linhas deste artigo visa, e preciso-o visto que parece ser necessário precisá-lo, não a literatura que pensa” (seria dar mostras duma excessiva ingenuidade), nem tão pouco a literatura que se compromete, mas muito exactamente uma certa metafísica da cátedra cuja injecção a frio na literatura parece-me geradora de precipitados indegestos. Quando digo que a literatura é desde há alguns anos vítima de uma formidável manobra de intimidação por parte do não-literário, e do não-literário mais agressivo”, desejo apenas chamar a atenção para o compromisso irrevogável do pensamento na forma que é a condição de toda a literatura: no domínio do sensível, este compromisso é inerente a toda a poesia, no domínio das ideias, dá-se-lhe o nome de tom, de estilo. [...]”(nota do autor)Ficha Técnica
- Actualmente 0 estrelas
- 1
- 2
- 3
- 4
- 5
(0 comentários dos leitores)