[…]Uma palavra ainda sobre o título encontrado para este segundo volume: o “arco singular” que nele se traça (sugerido pela leitura de Rilke) é múltiplo, e será decisivo para o resto da vida eda escrita d e Maria Gabriela Llansol. Esse arco vai do entusiasmoinicial da experiência cooperativa de trabalho e ensino à desilusãofinal dessa vivência, tão típica de uma época de ideais alternativos e de contradições. É o arco da tensão crescente entre as imposições da sobrevivência e a “sobrevida” que só a escrita demais dois livros pode trazer, os que ocupam grande parte destes cadernos e deste período (A Restante Vida e Na Casa de Julho e Agosto). É o arco que vai damatéria medieval, e fascinante, do universo de beguinas, cátaros, gnósticose alquimistas à descoberta da escrita e da existência de outras mulheres, escritoras do mesmo século XX, egrandes revelações, como VirginiaWoolf e Katherine Mansfield. É, em termos de quotidiano estrito, o arco que vai da saída de Lovaina e do seu mundo mais cosmopolita à aparente felicidade da vidamais tranquilana casa de Jodoigne (que evoca vagamente a da infância, e por isso é objecto de tanta atenção) e aoanúncio da saída para o isolamento ainda maior de Herbais, que proporcionará finalmente uma existência quase exclusivamente preenchida pela escrita. O “arco singular” que este livro dá a ver é, enfim, o deuma linha parabólica sempre bidireccional e tensa, com um vórtice em cima e outro em baixo, entre os quais se desenrola o percurso de um ser de escrita que, como dirão mais tarde as últimas palavras de O Senhor de Herbais, sendo como poucos singular, nunca seria “uma singularidade vã”.» João Barrento e Maria Etelvina Santos, na «Introdução»
Sinopse
[…]Uma palavra ainda sobre o título encontrado para este segundo volume: o “arco singular” que nele se traça (sugerido pela leitura de Rilke) é múltiplo, e será decisivo para o resto da vida eda escrita d e Maria Gabriela Llansol. Esse arco vai do entusiasmoinicial da experiência cooperativa de trabalho e ensino à desilusãofinal dessa vivência, tão típica de uma época de ideais alternativos e de contradições. É o arco da tensão crescente entre as imposições da sobrevivência e a “sobrevida” que só a escrita demais dois livros pode trazer, os que ocupam grande parte destes cadernos e deste período (A Restante Vida e Na Casa de Julho e Agosto). É o arco que vai damatéria medieval, e fascinante, do universo de beguinas, cátaros, gnósticose alquimistas à descoberta da escrita e da existência de outras mulheres, escritoras do mesmo século XX, egrandes revelações, como VirginiaWoolf e Katherine Mansfield. É, em termos de quotidiano estrito, o arco que vai da saída de Lovaina e do seu mundo mais cosmopolita à aparente felicidade da vidamais tranquilana casa de Jodoigne (que evoca vagamente a da infância, e por isso é objecto de tanta atenção) e aoanúncio da saída para o isolamento ainda maior de Herbais, que proporcionará finalmente uma existência quase exclusivamente preenchida pela escrita. O “arco singular” que este livro dá a ver é, enfim, o deuma linha parabólica sempre bidireccional e tensa, com um vórtice em cima e outro em baixo, entre os quais se desenrola o percurso de um ser de escrita que, como dirão mais tarde as últimas palavras de O Senhor de Herbais, sendo como poucos singular, nunca seria “uma singularidade vã”.» João Barrento e Maria Etelvina Santos, na «Introdução»
Ficha Técnica
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