32 poemas motivados por quadros do pintor Caspar David Friedrich. Poema Mulher à Janela / Ela queria tomar o partido do visível, / a visão como vela armada para a viagem, / tensa como a corda do arco / na suspensão do gesto inocente sobre a seta. / Debruçada, num ofício de corpo presente, / viu passar toda a blandícia na brisa. / Agora recolhe-se ao copo facetado / de que uma só face dá para o mundo / como a alma no azul escuro de um vitral, / o vinho quente no fundo de um cálice: / o quarto onde guarda o estojo da sua vida / com o sombreamento do dia no soalho. / Exasperada pela cintura de gelo na vidraça, / para onde declina lentamente a face, / estenderia o braço se o ser em cada coisa / lhe fosse dado tocar: o mundo / de que ela fosse mais que o alto-relevo / fixo para sempre na moldura da janela.
Sinopse
32 poemas motivados por quadros do pintor Caspar David Friedrich. Poema Mulher à Janela / Ela queria tomar o partido do visível, / a visão como vela armada para a viagem, / tensa como a corda do arco / na suspensão do gesto inocente sobre a seta. / Debruçada, num ofício de corpo presente, / viu passar toda a blandícia na brisa. / Agora recolhe-se ao copo facetado / de que uma só face dá para o mundo / como a alma no azul escuro de um vitral, / o vinho quente no fundo de um cálice: / o quarto onde guarda o estojo da sua vida / com o sombreamento do dia no soalho. / Exasperada pela cintura de gelo na vidraça, / para onde declina lentamente a face, / estenderia o braço se o ser em cada coisa / lhe fosse dado tocar: o mundo / de que ela fosse mais que o alto-relevo / fixo para sempre na moldura da janela.Ficha Técnica
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