(...) Abrimos o livro Três vezes Deus, de Ana Marques Gastão, António Rego Chaves e Armando Silva Carvalho. É um corpo estranho e fascinante que chega à poesia portuguesa. Um contrabando de silêncio exercido à sombra dos nomes. Uma ardência voraz. Uma deflagração que nos deixa em perigo.A expressão Três vezes representa, na tradição bíblica, uma máxima aclamativa reservada, uma indicação para o mestre do coro do saltério divino. Deus, e só Deus, é três vezes Santo, por isso, a sua presença transcende, é o fogo puro, intocável majestade. Nesta obra, ‘três vezes’ alude, antes, aos caminhos humanos que vozes diferentes percorrem, uma de cada vez, como numa conversa onde a escuta é profunda. Três vezes, afastado o carácter aclamatório da antiga fórmula, são três histórias, irredutíveis, garantidas por uma assinatura, percursos que não se confundem, apenas partem de um encontro entre si para o encontro inédito, improvável de Deus. Mas, mesmo o mais casual dos acontecimentos, se ocorrer por três vezes, faz-nos parar, vacilam as seguranças que muitas vezes se fundam na distracção, encostamos o rosto ao vidro de uma janela, ficamos a pensar. É isso que este livro provoca: o pensamento interior, o regresso à meditação das histórias.Este Três vezes Deus, se a alguma família espiritual se liga, é à do inconformado Job, que de solidão em solidão enfrenta o Inominável, e à de Jacob quando, na travessia de uma nocturna fronteira, é ferido em luta mortal com o Anjo ou à de Cristo que, no silêncio insuportável do horto, sua o sangue do abandono de que não estão isentos nem os filhos de Deus”.
Sinopse
(...) Abrimos o livro Três vezes Deus, de Ana Marques Gastão, António Rego Chaves e Armando Silva Carvalho. É um corpo estranho e fascinante que chega à poesia portuguesa. Um contrabando de silêncio exercido à sombra dos nomes. Uma ardência voraz. Uma deflagração que nos deixa em perigo.A expressão Três vezes representa, na tradição bíblica, uma máxima aclamativa reservada, uma indicação para o mestre do coro do saltério divino. Deus, e só Deus, é três vezes Santo, por isso, a sua presença transcende, é o fogo puro, intocável majestade. Nesta obra, ‘três vezes’ alude, antes, aos caminhos humanos que vozes diferentes percorrem, uma de cada vez, como numa conversa onde a escuta é profunda. Três vezes, afastado o carácter aclamatório da antiga fórmula, são três histórias, irredutíveis, garantidas por uma assinatura, percursos que não se confundem, apenas partem de um encontro entre si para o encontro inédito, improvável de Deus. Mas, mesmo o mais casual dos acontecimentos, se ocorrer por três vezes, faz-nos parar, vacilam as seguranças que muitas vezes se fundam na distracção, encostamos o rosto ao vidro de uma janela, ficamos a pensar. É isso que este livro provoca: o pensamento interior, o regresso à meditação das histórias.Este Três vezes Deus, se a alguma família espiritual se liga, é à do inconformado Job, que de solidão em solidão enfrenta o Inominável, e à de Jacob quando, na travessia de uma nocturna fronteira, é ferido em luta mortal com o Anjo ou à de Cristo que, no silêncio insuportável do horto, sua o sangue do abandono de que não estão isentos nem os filhos de Deus”.Ficha Técnica
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