"Será difícil encontrar textos mais oportunos ou adequados do que os aqui propostos para iniciar o leitor no pensamento de Max Weber. O tom que neles predomina é oral, quase de natureza coloquial ou de conversa, pois, na sua quase totalidade, constituem comunicações e conferências, pronunciadas numa das horas mais difíceis da civilização europeia e, em particular, da história alemã, ou seja, na altura da primeira Guerra mundial. Mas o autor, com grande contenção intelectual, expressa neles, em expressões contundentes, alguns dos pressupostos da sua visão filosófica e histórica. Surge, em primeiro lugar, a sua concepção da cultura como luta de mundividências, incompatíveis e irreconciliáveis entre si, que situam a acção dos homens num fundo de seriedade última, subjacente aos interesses políticos, sociais, económicos ou de outra natureza. Este pressuposto metafísico, onde se adverte a influência nietzscheana, serve de pilar à visão que Max Weber tem da política, toda ela tecida de violência e de constrição, e que constitui o palco onde se joga o destino dos povos e dos indivíduos. Insinua-se, em seguida, com traços rápidos, o esboço do processo secular da racionalização crescente no seio da cultura ocidental, e cujo desfecho mais conspícuo é o desencantamento do mundo, operado pela emergência e pelo desenvolvimento da ciência e acompanhado, no campo social, por uma burocratização cada vez mais acentuada. Adverte-se, por fim, a nítida separação que, na produção cognitiva, se deve fazer entre o conhecimento estrito dos factos e a sua valoração pessoal, os quais, no discurso científico, jamais se podem confundir ou misturar, ou seja, a célebre e complexa questão da ""neutralidade axiológica"", tantas vezes desfigurada - por falta de leitura - a propósito de Max Weber. Nestes textos, embora quase todos de circunstância, avulta o autor como o intelectual empenhado, o historiador, o filósofo político e o grande epistemólogo que sempre foi, e cuja presença é impossível evitar no esforço de descobrir o sentido e o perfil da nossa cultura. Esta obra tem o apoio do GEPOLIS - Centro de Estudos de Filosofia e Cidadania da Universidade Católica Portuguesa"
Sinopse
"Será difícil encontrar textos mais oportunos ou adequados do que os aqui propostos para iniciar o leitor no pensamento de Max Weber. O tom que neles predomina é oral, quase de natureza coloquial ou de conversa, pois, na sua quase totalidade, constituem comunicações e conferências, pronunciadas numa das horas mais difíceis da civilização europeia e, em particular, da história alemã, ou seja, na altura da primeira Guerra mundial. Mas o autor, com grande contenção intelectual, expressa neles, em expressões contundentes, alguns dos pressupostos da sua visão filosófica e histórica. Surge, em primeiro lugar, a sua concepção da cultura como luta de mundividências, incompatíveis e irreconciliáveis entre si, que situam a acção dos homens num fundo de seriedade última, subjacente aos interesses políticos, sociais, económicos ou de outra natureza. Este pressuposto metafísico, onde se adverte a influência nietzscheana, serve de pilar à visão que Max Weber tem da política, toda ela tecida de violência e de constrição, e que constitui o palco onde se joga o destino dos povos e dos indivíduos. Insinua-se, em seguida, com traços rápidos, o esboço do processo secular da racionalização crescente no seio da cultura ocidental, e cujo desfecho mais conspícuo é o desencantamento do mundo, operado pela emergência e pelo desenvolvimento da ciência e acompanhado, no campo social, por uma burocratização cada vez mais acentuada. Adverte-se, por fim, a nítida separação que, na produção cognitiva, se deve fazer entre o conhecimento estrito dos factos e a sua valoração pessoal, os quais, no discurso científico, jamais se podem confundir ou misturar, ou seja, a célebre e complexa questão da ""neutralidade axiológica"", tantas vezes desfigurada - por falta de leitura - a propósito de Max Weber. Nestes textos, embora quase todos de circunstância, avulta o autor como o intelectual empenhado, o historiador, o filósofo político e o grande epistemólogo que sempre foi, e cuja presença é impossível evitar no esforço de descobrir o sentido e o perfil da nossa cultura. Esta obra tem o apoio do GEPOLIS - Centro de Estudos de Filosofia e Cidadania da Universidade Católica Portuguesa"Ficha Técnica
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