O futuro a Deus pertence. Diz o povo e o povo sabe como o diz. Porque o futuro é imprevisível, imprudente e surpreendente. Depois de tudo conhecido e conquistado, deseja-se o futuro, porque é imaculado e intocado. Aguarda-se em guarda pelo futuro; temos de estar alerta, porque é de cada vez maior conhecimento e revelação. Apenas o que se sabe de seguro é que todo o passado se resolve numa e incerta caminhada para um futuro de cada vez maior conhecimento do homem em si mesmo e da humanidade; de maior entendimento das nossas possibilidades de criação e das reacções psicológicas. E como disse Agostinho da Silva "de mais fundo desejo de que deixemos para trás bem depressa os tempos em que a força pode valer mais do que a inteligência e a sensibilidade".
Talvez o que é verdadeiramente moderno seja a invenção do futuro; mas se não compreendermos e aceitarmos o presente que se legitima no passado, o futuro não pode ser acontecer em si. Senão entendermos o passado, não podemos sonhar com o futuro. Sempre ambicionado e sempre novo, integramo-nos porque queremos pertencer ao futuro, em que se inventa, se supõe, se adivinha. O futuro só existe no futuro, e por tal não se guarda e não se domina. É livre. Assim tem sido também o espírito arquitectónico, a inventar-se na ideia futura da construção. A arquitectura é livre antes do presente e passado construído.
(Mário João Alves Chaves)
Sinopse
O futuro a Deus pertence. Diz o povo e o povo sabe como o diz. Porque o futuro é imprevisível, imprudente e surpreendente. Depois de tudo conhecido e conquistado, deseja-se o futuro, porque é imaculado e intocado. Aguarda-se em guarda pelo futuro; temos de estar alerta, porque é de cada vez maior conhecimento e revelação. Apenas o que se sabe de seguro é que todo o passado se resolve numa e incerta caminhada para um futuro de cada vez maior conhecimento do homem em si mesmo e da humanidade; de maior entendimento das nossas possibilidades de criação e das reacções psicológicas. E como disse Agostinho da Silva "de mais fundo desejo de que deixemos para trás bem depressa os tempos em que a força pode valer mais do que a inteligência e a sensibilidade". Talvez o que é verdadeiramente moderno seja a invenção do futuro; mas se não compreendermos e aceitarmos o presente que se legitima no passado, o futuro não pode ser acontecer em si. Senão entendermos o passado, não podemos sonhar com o futuro. Sempre ambicionado e sempre novo, integramo-nos porque queremos pertencer ao futuro, em que se inventa, se supõe, se adivinha. O futuro só existe no futuro, e por tal não se guarda e não se domina. É livre. Assim tem sido também o espírito arquitectónico, a inventar-se na ideia futura da construção. A arquitectura é livre antes do presente e passado construído. (Mário João Alves Chaves)Ficha Técnica
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