Um livro suado e sofrido, meigo e brutal, exacto e provocatório, com um
ritmo empolgante, temperado com a morna sensualidade dos trópicos e
comprometido em desvendar um tempo e um lugar em pé de guerra. Com
esta obra de Ricardo de Saavedra o fim do Império em Moçambique deixa
definitivamente de ser uma nuvem distante e baça. Wiriyamu, massacre
que o padre Adrian Hastings denunciou à comunidade internacional há 40
anos, surge pela primeira vez em livro de autor português n’Os Dias do
Fim. Uma parte do romance gira à volta desse escabroso episódio. Os
militares e os políticos não são poupados e, nos vários factos que o texto
documenta, sempre que os nomes correspondem a pessoas reais, o rigor
histórico está presente. Obra de jornalista, acolhe também o rumor e a málíngua,
datados e situados, o que confere ao livro mais um condimento de
interesse. Os Dias do Fim resulta de uma apaixonada mobilização do naipe
de virtuosos que convivem no mesmo homem: o jornalista, o pintor, o
poeta e o escritor. Lê-se com entusiasmo esta obra em que a paleta do
pintor tece climas e cenários, o rigor do jornalista acerta os ponteiros da
história, o poeta tempera a dimensão do sonho e o escritor tudo isso
conjuga num quadro final, quase sinfónico.
Sinopse
Ficha Técnica
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