Os dentes do dragão, coletânea abrangente das entrevistas de Oswald de Andrade,
compreende um vasto período, que vai de 1924 a 1954, ou seja, da época
subseqüente à Semana de 1922 até a morte do autor. Com organização a cargo de
Maria Eugênia Boaventura, esta 2ª. edição, além de revista, foi ampliada por
pesquisas em várias instituições de grande relevância (como Biblioteca Nacional,
Fundação Casa de Rui Barbosa, Arquivo Público de Minas Gerais, Arquivo Público
do Estado de São Paulo, Biblioteca Municipal de São Paulo, Arquivo de O Estado
de S. Paulo, Biblioteca do Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp e Centro
de Documentação Alexandre Eulálio, também da Unicamp, onde se encontra o Fundo
Oswald de Andrade). A edição conta ainda com extensa introdução da organizadora,
além de índice onomástico, bibliografia e cronologia.
Naturalmente, como
observa a introdução, "a divulgação das entrevistas de Oswald enriquece a
bibliografia brasileira do movimento modernista". Mas por um viés particular:
pois além de desfazer (ou corroborar) muitas lendas sobre uma vida tão pródiga
delas, aqui "o próprio escritor é porta-voz de seu envolvimento no cenário
cultural brasileiro, e de suas inusitadas idéias sobre assuntos palpitantes da
primeira metade do século XX".
A lista de eventos, personagens, idéias e
acontecimentos, sejam pessoais ou históricos, nacionais ou internacionais (como
as vanguardas européias), é extensa. Por exemplo, "o surgimento do Movimento
Antropofágico (1928-1929), considerado por Oswald, de modo taxativo, numa
declaração de época, como efeito imediato do seu embate com o grupo Verde
Amarelo e da Anta, e não sugerido, como se propala, pelo famoso quadro Abaporu,
de Tarsila do Amaral. [...] Da parte dos jornalistas, as entrevistas revelam o
interesse pela personalidade do autor de Miramar, e a disposição de empreender
balanços do modernismo, sobretudo em datas comemorativas. [...] Esta seleção
principia em 1924 e incorpora a última entrevista realizada poucos dias antes do
falecimento do poeta. Cobre trinta anos da sua trajetória intelectual, desde o
período de apogeu [...] até a fase de solidão, época em que os jornais mais
importantes recusavam os seus artigos; ou melhor, o final das décadas de 1940 e
início de 1950, no momento em que não tinha fãs e distribuía autógrafos somente
'aos pregos e aos bancos', como ele mesmo lembrava". Vale lembrar que, com a
"modernização conservadora" do período Vargas, e com a emergência da literatura
regionalista, além da Geração de 45 (também temas das entrevistas), as
conquistas de 22 saíram do mainstream da cultura brasileira para só retornar a
partir da metade dos anos 1950, ou seja, tragicamente, nos anos imediatos à
morte de Oswald, principalmente através da revisão empreendida pelo concretismo.
Em suma, nestas entrevistas "desvendam-se facetas desconhecidas desta
personalidade e consolida-se a imagem do intelectual corajoso, que não gostava
de posições 'mornas', pronto a manifestar sua opinião". Além, naturalmente, de
seu famoso (e corrosivo) humor.
Sinopse
Os dentes do dragão, coletânea abrangente das entrevistas de Oswald de Andrade, compreende um vasto período, que vai de 1924 a 1954, ou seja, da época subseqüente à Semana de 1922 até a morte do autor. Com organização a cargo de Maria Eugênia Boaventura, esta 2ª. edição, além de revista, foi ampliada por pesquisas em várias instituições de grande relevância (como Biblioteca Nacional, Fundação Casa de Rui Barbosa, Arquivo Público de Minas Gerais, Arquivo Público do Estado de São Paulo, Biblioteca Municipal de São Paulo, Arquivo de O Estado de S. Paulo, Biblioteca do Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp e Centro de Documentação Alexandre Eulálio, também da Unicamp, onde se encontra o Fundo Oswald de Andrade). A edição conta ainda com extensa introdução da organizadora, além de índice onomástico, bibliografia e cronologia.
Naturalmente, como observa a introdução, "a divulgação das entrevistas de Oswald enriquece a bibliografia brasileira do movimento modernista". Mas por um viés particular: pois além de desfazer (ou corroborar) muitas lendas sobre uma vida tão pródiga delas, aqui "o próprio escritor é porta-voz de seu envolvimento no cenário cultural brasileiro, e de suas inusitadas idéias sobre assuntos palpitantes da primeira metade do século XX".
A lista de eventos, personagens, idéias e acontecimentos, sejam pessoais ou históricos, nacionais ou internacionais (como as vanguardas européias), é extensa. Por exemplo, "o surgimento do Movimento Antropofágico (1928-1929), considerado por Oswald, de modo taxativo, numa declaração de época, como efeito imediato do seu embate com o grupo Verde Amarelo e da Anta, e não sugerido, como se propala, pelo famoso quadro Abaporu, de Tarsila do Amaral. [...] Da parte dos jornalistas, as entrevistas revelam o interesse pela personalidade do autor de Miramar, e a disposição de empreender balanços do modernismo, sobretudo em datas comemorativas. [...] Esta seleção principia em 1924 e incorpora a última entrevista realizada poucos dias antes do falecimento do poeta. Cobre trinta anos da sua trajetória intelectual, desde o período de apogeu [...] até a fase de solidão, época em que os jornais mais importantes recusavam os seus artigos; ou melhor, o final das décadas de 1940 e início de 1950, no momento em que não tinha fãs e distribuía autógrafos somente 'aos pregos e aos bancos', como ele mesmo lembrava". Vale lembrar que, com a "modernização conservadora" do período Vargas, e com a emergência da literatura regionalista, além da Geração de 45 (também temas das entrevistas), as conquistas de 22 saíram do mainstream da cultura brasileira para só retornar a partir da metade dos anos 1950, ou seja, tragicamente, nos anos imediatos à morte de Oswald, principalmente através da revisão empreendida pelo concretismo.
Em suma, nestas entrevistas "desvendam-se facetas desconhecidas desta personalidade e consolida-se a imagem do intelectual corajoso, que não gostava de posições 'mornas', pronto a manifestar sua opinião". Além, naturalmente, de seu famoso (e corrosivo) humor.
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