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Ortodoxia

De: Gilbert K. Chesterton

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Sinopse

Esta é uma das mais importantes obras de G. K. Chesterton, escrita há pouco mais de um século mas que mantém toda a actualidade e na qual este explica todo o seu percurso de conversão ao catolicismo. Nesta obra, o ensaísta e filósofo lança o debate em torno dos chamados valores modernos e de como o conceito de «ortodoxia» não está relacionado directamente com o conservadorismo.  

Ficha Técnica

  • Editora: Alêtheia Editores
  • Colecção:
  • Data de Publicação: 2008
  • Encadernação: Capa mole - 200 páginas páginas
  • Idioma: Português
  • ISBN: 9789896221492
  • Dimensões do livro: -
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Comentários

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  1. António Campos: Um livro sublime de um grande intelectual.
    Uma leitura fácil, uma grande filosofia contra a "mainstream".
    Para ler e guardar.
    Um tesouro inolvidável.
    O livro de uma vida.
    Cito Gustavo Corção:

    As principais idéias de Chesterton agrupam-se em torno de 3 eixos principais ou 3 grandes idéias e tendo como fio condutor a grande característica do pensamento do inglês, o humanismo verdadeiro.

    Não um humanismo em que o homem era retirado de sua situação real e pensado abstratamente. O homem de Chesterton não é o operário, o camponês, o bispo ou o aristocrata. Ou melhor, é todos e nenhum ao mesmo tempo; é o homem comum, aquele que vemos todos os dias, aqueles que nós somos. Um homem comum que pode ser um operário, camponês, bispo, aristocrata ou até mesmo um rei. Chesterton pouco se interessava sobre o que tornava um homem específico, o que o separava dos demais. O seu interesse era para o que tinha em comum a todos os homens, em que consistia a essência de sua humanidade.

    Nascer, crescer, brincar, comer, morrer, amar, beber, pecar, arrepender-se. São coisas comuns aos homens de todas as épocas e todos os lugares e a verdadeira essência de uma filosofia saudável, à reflexão que engrandece e que nos faz descobrir coisas sobre nós mesmos. Chesterton dedicou sua vida a esta reflexão e Corção aponta três eixos de pensamento em sua obra, que evitaria o homem de cair em uma das três grandes situações que o tornaria desumano, que o faria perder a sua humanidade: a loucura, a barbárie e a escravatura.

    Para não ser doido


    O primeiro confronto de Chesterton, para lançar um desafio a uma opinião geralmente admitida, é entre o poeta e o louco.


    É um lugar comum que um louco é um homem que perdeu a razão. Chesterton inverte esta crença e afirma: o louco é um homem que perdeu tudo, exceto a razão. Matemáticos ficam loucos, físicos também, filósofos. O poeta não. O poeta é capaz de sentir o mistério nas coisas, grandes ou pequenas, e de se deixar maravilhar por elas. Dedica a sua vida a tentar expressar este deslumbramento, em tentar encontrar palavras para descrever o que muitas vezes é impossível descrever. O homem que se cerca da razão por todos os lados é incapaz de ver o mistério das coisas mais simples e separa-se da humanidade. O poeta tenta entrar de cabeça no mundo enquanto que o racionalista tenta colocar o mundo na cabeça. Acaba louco.

    O louco de Chesterton não é somente o que está no hospital psiquiátrico e que reconhecemos facilmente nesta condição. O louco de Chesterton são os materialistas, os deterministas, os comunistas, em resumo, os idealistas. Os que imaginam ter uma explicação racional para o mundo e o homem, que criam um modelo em que o mundo se encaixa perfeitamente. O louco é Marx, Nietzsche, Wells, Rousseau e tantos outros que acharam ter a explicação racional para o universo. Alguns deles acabaram realmente reconhecidos como loucos, outros morreram sem evidenciar a sua real condição.

    Aqui entra o papel especial da criança. Ela é completamente capaz de ver o mistério em tudo que vê, ela sente o maravilhamento numa porta que se abre, num sorriso da mãe, numa chuva que cai. A sua pureza deveria ser a lembrança para a humanidade nunca esquecer que existem coisas que fogem à nossa capacidade de raciocinar. Ao crescer, o homem perde muito desta capacidade e esta é sua perdição. O segredo da vida saudável é manter o máximo possível esta ideia de mistério e deslumbramento como o mundo.

    Para não ser bárbaro


    O bárbaro-positivo não é apenas o inimigo da civilização, mas o que procura uma nova civilização, uma civilização de segunda ordem. A nova ordem.


    Se a primeira ideia-mestra era sobre a saúde mental do homem, a segunda é sobre sua saúde social. Para Chesterton uma das características que separa o homem não só dos animais como das bestas e répteis, humanos ou não, é a capacidade especial de fazer promessas. O homem civilizado é aquele capaz de prometer e cumprir o que prometeu, é aquele capaz de fazer juramentos e cumprir o que jurou. A antítese deste homem, o bárbaro, pode ser visto na Alemanha nazi que fazia tratados e acordos para depois os rasgar. O resultado foi a devastação que se seguiu. O totalitarismo, seja o fascismo, nazismo ou comunismo é o resultado da perda da capacidade do homem de fazer promessas. A democracia perde-se quando uma sociedade deixa de jurar.

    Aqui Chesterton apresenta uma de suas ideias mais polémicas, o relacionamento do divórcio com o fim da democracia. O homem e a mulher que se divorciam rasgam uma promessa solene que fizeram, uma promessa de eternidade, um juramento sagrado. Tanto mais grave é este fato quando os motivos forem os mais fúteis. Certamente que um casamento não é uma fonte inesgotável de prazeres ao longo de toda a sua duração, muitas vezes é difícil de manter, como são as coisas da vida. No entanto, não se pode esquecer que foi fruto do juramento mais espontâneo e particular que alguém pode fazer na sua vida. Os homens não conseguem perdoar a traição à pátria, fruto de um acidente de nascimento, mas não vêem nada demais em trair o casamento, uma pátria que foi escolhida livremente.

    Outra ideia relacionada à civilização é o respeito pela tradição. Para Chesterton a democracia é o respeito ao legado, ao que recebemos dos nossos antepassados. A tradição é a democracia dos mortos, é dar ouvidos às pessoas que viveram antes de nós e que não se podem mais expressar diretamente. Isso não significa que nada deva ser mudado, ao contrário, é preciso mudar sempre para que a essência da tradição se mantenha e que ela não se perca com o passar do tempo. Um poste só permanece branco se for constantemente pintado de branco. Conservar não é uma atitude passiva, é um constante agir para manter o que foi conquistado com muito custo.

    Para não ser escravo.


    Foi pois ortogado ao homem, no dia da sua criação, um direito de posse e domínio sobre todas as coisas.


    Chesterton repudiava tanto o comunismo quanto o capitalismo. Para ele, ambas eram doenças pois deixavam de respeitar o princípios fundamentais da economia. Das três ideias-mestre, esta é a que parece menos religiosa mas é aqui que o leitor comete um erro típico dos paradoxos demonstrados por Chesterton. Para ele, a ideia da posse era a que mais se relacionava a Deus e ao milagre da criação.

    O comunismo é herege porque não respeita o direito de propriedade e o capitalismo é herege porque defende o direito de propriedade, só que para apenas alguns. O fundamento do cristianismo sempre foi uma ideia de posse e de recompensa. Chesterton defendia que todos os homens, sem exceção, tinham direito a uma propriedade e a um meio de subsistência. E que deveria usar o lucro do seu trabalho não apenas para si mesmo, mas para o uso de sua comunidade. Se a posse era particular, o uso deveria ser distribuído e assim colide quer com o comunismo quer com o capitalismo. O primeiro negava o direito ao lucro, o segundo afirmava que o homem tinha direito ao uso exclusivamente privado da sua propriedade.


    A ideia de Chesterton gira em torno disso; e eu queria ser um génio para convencer o leitor, depois dele, que a ideia mais poética e mais maravilhosa do mundo está ligada à posse de três alqueires e uma vaca. Ou então, o que é muito mais fácil, eu queria que o leitor fosse um homem extremamente simples, para descobrir isso sozinho.


    11 Novembro 2012 às 17:15:01
     
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