Ofício Cantante foi o título escolhido para a primeira publicação, em 1967, de poemas reunidos do autor, na colecção Poetas de Hoje, na Portugália Editora, título agora recuperado para a sua poesia completa. Para além de alguns poemas inéditos (e outros retrabalhados), incluem-se aqui os poemas do já esgotado A Faca Não Corta o Fogo — Súmula & inédita, considerado o melhor livro de 2008 por alguma da imprensa especializada. Não chamem logo as funerárias, cortem-me as veias dos pulsos pra que me saibam bem morto,medo? só que o sangue vibre ainda na gargantae qualquer mão e meia me encha de terra a boca, sei de quem se tenha erguido, de pura respiração, do fundo da madeira, saibro, roupa, gôtas de orvalho ou cêra, ornatos, espadanas, lágrimas, últimas músicas, não é como no escuro o trigo que ressuscita, sei sim de quem despedaçou as tábuas e ficou entre caos e nada com o sangue alvoroçado nos braços e nas têmporas, que se não pare nunca entre as matérias intransponíveis,cortem-me cerce o sangue fresco,que a terra me não
Sinopse
Ofício Cantante foi o título escolhido para a primeira publicação, em 1967, de poemas reunidos do autor, na colecção Poetas de Hoje, na Portugália Editora, título agora recuperado para a sua poesia completa. Para além de alguns poemas inéditos (e outros retrabalhados), incluem-se aqui os poemas do já esgotado A Faca Não Corta o Fogo — Súmula & inédita, considerado o melhor livro de 2008 por alguma da imprensa especializada. Não chamem logo as funerárias, cortem-me as veias dos pulsos pra que me saibam bem morto,medo? só que o sangue vibre ainda na gargantae qualquer mão e meia me encha de terra a boca, sei de quem se tenha erguido, de pura respiração, do fundo da madeira, saibro, roupa, gôtas de orvalho ou cêra, ornatos, espadanas, lágrimas, últimas músicas, não é como no escuro o trigo que ressuscita, sei sim de quem despedaçou as tábuas e ficou entre caos e nada com o sangue alvoroçado nos braços e nas têmporas, que se não pare nunca entre as matérias intransponíveis,cortem-me cerce o sangue fresco,que a terra me não
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