Objetos Feitos de Cancro (des)arruma a cultura material da doença
oncológica, olhando para as materialidades que ganham forma, uso e
sentido nas imagens e textos de projetos artísticos criados por ou com
mulheres que viveram esta experiência. Os objetos são entendidos como
pedaços de cancro, ou seja, partes constitutivas das sensações, emoções,
ideias e gestos que fazem a experiência do corpo doente. Objetos
hospitalares, domésticos e pessoais encastram-se no diagnóstico,
tratamento, remissão, metastização e morte, fazendo a doença que se
sente e pensa. Da cadeira da sala de espera à última pulseira
hospitalar, arrumam-se seringas, máquinas, relatórios, macas, camas,
instrumentos cirúrgicos, drenos, pensos, próteses, bombas infusoras,
cabeleiras, roupa e muita outra bagagem. Nos lugares da Internet,
estórias e ensaios de fotografia, pintura, desenho, colagem, modelagem,
escultura e costura deixam espreitar os carcinomas, sarcomas, linfomas e
leucemias que fazem a soma das experiências que dão corpo a este texto.
Dizer que a doença se desdobra como uma experiência modular e que os
objetos existem e agem no cancro como realidades encastráveis, assenta
numa abordagem teórica e metodológica onde ensaio o potencial
explicativo daquilo a que chamo a "terceira metade das coisas e do
conhecimento".
Sinopse
Ficha Técnica
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