Para se deslocar ao laboratório de um velho professor com fama de homem
da Renascença do nosso tempo, um técnico informático apanha um elevador,
lento ao ponto de uma pessoa não saber se está a subir ou a descer. À
chegada, é recebido por uma jovem bonita e rechonchuda. O programador
segue atrás da mulher vestida de cor-de-rosa por corredores que nunca
mais acabam e por caminhos subterrâneos, aspirando profundamente a
fragrância de melão que a nuca dela exala. No entanto, nem sequer ouve o
rumor da respiração e é como se as palavras que lhe saem da boca
chegassem aos seus ouvidos através de uma espessa parede de vidro. Às
tantas, parece-lhe que a jovem de formas arredondadas terá dito qualquer
coisa como «Marcel Proust». Marcel Proust? Bem-vindos ao impiedoso país
das maravilhas. Numa pequena e fantasmagórica cidade, rodeada por uma
muralha que a separa do resto do mundo, vivem seres humanos privados da
sombra e dos sentimentos. Habituados desde há muito a conviver
tranquilamente com a ausência de emoções, todos se mostram satisfeitos e
em paz. Ninguém envelhece, ninguém morre. A que se deve tal proeza?
Aparentemente, ao facto de não terem coração. Com efeito, as pessoas
deixam de ter sombra mal passam a viver dentro das muralhas. A esta
cidade nos confins do mundo chega um jovem de trinta e cinco anos, que
tem por missão ler «os velhos sonhos» nos crânios dos unicórnios. Com a
ajuda da bibliotecária, que revela um apetite prodigioso até dizer
basta, o programador propõe- se recolher recordações e fragmentos de
outras vidas, pertencente a uma outra possível dimensão.
Sinopse
Ficha Técnica
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(0 comentários dos leitores)Críticas Literárias
por: Jay McInerney em: 00 0000