Trata-se de uma obra com tendências utópicas em que o pensamento histórico se mistura com um ingrediente saboroso. Quem é Isabel de Borgonha, perseguindo um ideal que não é apenas a derrota do turco e, para isso, a construção duma frota com mil mastros que vão ao céu subindo e que são as "mil árvores" faladas por Camões? Ela personifica o eterno feminino, ou é apenas uma mulher marcada pela virtude secundária da submissão, que trouxe da sua infância inglesa? A personagem Luísa Baena dá-lhe mais ouvidos do que ao "ragtime", tocado magistralmente pelo japonês, convertido ao ritmo americano. É um livro cheio de enigmas e elevadas partidas da vida em que os personagens se movimentam: na sala dos concertos, à beira da piscina, na proximidade da lagoa onde o Cortejo de Maximiliano jaz sepultado. É um livro muito longo, com milhões de páginas que se desdobram na mente do leitor. O próprio estilo é uma síntese admirável do pensamento. Não há aqui a busca duma realidade, mas sim uma busca desrealizadora que tem, necessariamente, eco na deliberação interior de cada ser humano. É uma deliberação do temor e da morte. Como tal, é um livro sobrenatural, em que se inventa o infinito usando da linguagem do amor, da paixão e das suas sinceridades vertiginosas. É um romance em que a bandeira da genealogia parece desfraldada, como acontece nos romances de Agustina. Mas, se repararem, a genealogia é constantemente desarticulada: os novos são velhos, os filhos são umas vezes cinco, outras vezes quatro. E o próprio barulho do Concerto dos Flamengos aparece e desaparece como se o nevoeiro o mostrasse ou escondesse. A História é uma soma de factores que nada tem a ver com a aritmética.
Sinopse
Trata-se de uma obra com tendências utópicas em que o pensamento histórico se mistura com um ingrediente saboroso. Quem é Isabel de Borgonha, perseguindo um ideal que não é apenas a derrota do turco e, para isso, a construção duma frota com mil mastros que vão ao céu subindo e que são as "mil árvores" faladas por Camões? Ela personifica o eterno feminino, ou é apenas uma mulher marcada pela virtude secundária da submissão, que trouxe da sua infância inglesa? A personagem Luísa Baena dá-lhe mais ouvidos do que ao "ragtime", tocado magistralmente pelo japonês, convertido ao ritmo americano. É um livro cheio de enigmas e elevadas partidas da vida em que os personagens se movimentam: na sala dos concertos, à beira da piscina, na proximidade da lagoa onde o Cortejo de Maximiliano jaz sepultado. É um livro muito longo, com milhões de páginas que se desdobram na mente do leitor. O próprio estilo é uma síntese admirável do pensamento. Não há aqui a busca duma realidade, mas sim uma busca desrealizadora que tem, necessariamente, eco na deliberação interior de cada ser humano. É uma deliberação do temor e da morte. Como tal, é um livro sobrenatural, em que se inventa o infinito usando da linguagem do amor, da paixão e das suas sinceridades vertiginosas. É um romance em que a bandeira da genealogia parece desfraldada, como acontece nos romances de Agustina. Mas, se repararem, a genealogia é constantemente desarticulada: os novos são velhos, os filhos são umas vezes cinco, outras vezes quatro. E o próprio barulho do Concerto dos Flamengos aparece e desaparece como se o nevoeiro o mostrasse ou escondesse. A História é uma soma de factores que nada tem a ver com a aritmética.Ficha Técnica
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