A história da rainha Njinga (1582-1663), é um dos episódios mais
espantosos da história africana. Esta mulher, rainha do reino angolano
de Matamba durante 40 anos, resistiu ao longo de três décadas aos
portugueses, à frente das suas tropas, antes de acordar a paz e de se
converter ao Catolicismo. Mas não foi sem dificuldades, pois teve de
obter o perdão pelos seus crimes, que eram tão numerosos quanto
aterradores. Publicada em 1687, a narrativa do seu confessor, o
missionário capuchinho Cavazzi, mergulha-nos no coração das trevas, na
companhia de uma mulher fascinante, inteligente, cruel, sexualmente
dominadora, que tenta abandonar aos poucos as suas práticas pagãs para
se converter, a si e ao seu povo, ao Catolicismo. Morreu aos 81 anos,
quase envolvida num halo de santidade, antes de a rejeição da religião
cristã e de as guerras voltarem a mergulhar o país no caos. O testemunho
de Cavazzi é excecional, pois este homem revela-se tão atento aos
pormenores das práticas da vida quotidiana quanto às dos cultos
diabólicos que os outros missionários mesmo evocar recusam. Através das
suas descrições, e também dos seus desenhos — encontrados recentemente
com o manuscrito original —, Cavazzi oferece, não só uma narrativa
literária e histórica de grande força, mas também um incomparável
documento etnográfico sobre a África Central no século XVIII.
Sinopse
Ficha Técnica
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