O mundo pode transformar-se em segundos. Inesperadamente. E a vida
que tínhamos torna-se outra. Eu sou a mesma pessoa que sempre fui e, ao
mesmo tempo, outra: sou uma sobrevivente. E feliz por o ser. O objectivo
do meu relato, não é outro se não o de poder dar a conhecer um pouco do
que sou e sinto, antes e depois dos eventos mais recentes, a explosão da
minha casa, as queimaduras que me levaram à unidade de queimados do
Hospital de São José em Lisboa, um local único, onde só encontrei pessoas
de um extremo profissionalismo e cheias de amor e sentido positivo.
Como disse, as palavras são poderosas e escreve-se muito sobre as figuras
públicas, especula-se, imagina-se. Ser uma figura pública tem várias
vertentes, é como se fôssemos um cristal trabalhado, várias faces, formas
de reflectir a luz ou a escuridão. A melhor de todas é, sem qualquer dúvida,
o reconhecimento e carinho do público, o público que nos aborda na rua,
ou através de outros meios, e faz questão de deixar uma palavra, um
conforto, um elogio. A pior? Como é fácil de imaginar, a pior vertente de se
ser alguém cujo rosto pode entrar pela casa adentro diariamente é a
exposição, os rumores, os boatos, uma desfiguração de quem somos. Muita
coisa foi dita e escrita sobre os últimos meses da minha vida.
Eu sou a mesma pessoa por dentro e tenho os olhos postos no futuro. Se o
meu relato for passível de ajudar alguém, de motivar quem está numa
situação de saúde grave ou apenas esclarecer aqueles que, por uma razão
ou outra, sentem curiosidade sobre a minha vida, pois aqui fica. Da forma
mais honesta e sincera que fui capaz, sem tabus ou preconceitos,
respeitando obviamente uma barreira de intimidade que, acredito, nunca
deve ser ultrapassada.
Assim, convido o leitor ou leitora a espreitar aquilo que sou, o que fiz, o
que pensei e senti.
«A minha situação pode ajudar alguém? Espero que sim. Mas há algo que
posso garantir seja a quem for, é que numa situação desta gravidade vamos
buscar forças que desconhecemos e temos um instinto de sobrevivência
brutal que nos leva a coisas que não sabíamos que podíamos fazer. Eu sei
que foi o meu instinto que me levou a sair daquela cama de hospital. Não
tenho qualquer dúvida sobre isso. Há casos muito piores. O meu, por ser
uma figura conhecida, teve este impacto no público. Já que há este nível de
exposição, então que sirva de testemunho para alguém em qualquer parte
do país. Se eu consegui sobreviver, outra pessoa também consegue, é o
testemunho motivador que posso dar.»
Sinopse
O mundo pode transformar-se em segundos. Inesperadamente. E a vida que tínhamos torna-se outra. Eu sou a mesma pessoa que sempre fui e, ao mesmo tempo, outra: sou uma sobrevivente. E feliz por o ser. O objectivo do meu relato, não é outro se não o de poder dar a conhecer um pouco do que sou e sinto, antes e depois dos eventos mais recentes, a explosão da minha casa, as queimaduras que me levaram à unidade de queimados do Hospital de São José em Lisboa, um local único, onde só encontrei pessoas de um extremo profissionalismo e cheias de amor e sentido positivo. Como disse, as palavras são poderosas e escreve-se muito sobre as figuras públicas, especula-se, imagina-se. Ser uma figura pública tem várias vertentes, é como se fôssemos um cristal trabalhado, várias faces, formas de reflectir a luz ou a escuridão. A melhor de todas é, sem qualquer dúvida, o reconhecimento e carinho do público, o público que nos aborda na rua, ou através de outros meios, e faz questão de deixar uma palavra, um conforto, um elogio. A pior? Como é fácil de imaginar, a pior vertente de se ser alguém cujo rosto pode entrar pela casa adentro diariamente é a exposição, os rumores, os boatos, uma desfiguração de quem somos. Muita coisa foi dita e escrita sobre os últimos meses da minha vida. Eu sou a mesma pessoa por dentro e tenho os olhos postos no futuro. Se o meu relato for passível de ajudar alguém, de motivar quem está numa situação de saúde grave ou apenas esclarecer aqueles que, por uma razão ou outra, sentem curiosidade sobre a minha vida, pois aqui fica. Da forma mais honesta e sincera que fui capaz, sem tabus ou preconceitos, respeitando obviamente uma barreira de intimidade que, acredito, nunca deve ser ultrapassada. Assim, convido o leitor ou leitora a espreitar aquilo que sou, o que fiz, o que pensei e senti. «A minha situação pode ajudar alguém? Espero que sim. Mas há algo que posso garantir seja a quem for, é que numa situação desta gravidade vamos buscar forças que desconhecemos e temos um instinto de sobrevivência brutal que nos leva a coisas que não sabíamos que podíamos fazer. Eu sei que foi o meu instinto que me levou a sair daquela cama de hospital. Não tenho qualquer dúvida sobre isso. Há casos muito piores. O meu, por ser uma figura conhecida, teve este impacto no público. Já que há este nível de exposição, então que sirva de testemunho para alguém em qualquer parte do país. Se eu consegui sobreviver, outra pessoa também consegue, é o testemunho motivador que posso dar.»Ficha Técnica
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