[...] Aquele monte isolado tem o ar de provir de um minúsculo vulcão. Logo na sua escala nos remete para a sociedade dos duendes. O bosque que o reveste tem arbustos que crescem pouco, como no propósito de ocultarem o solo aos nossos olhos. Fornece bagas, frutos secos, alimentos que bastam às pequenas criaturas e mesmo aos eremitas, que alguns houve. Fala a lenda de um certo Frei Romano que ali viveu na Alta Idade Média. Acompanhava o último rei godo que, de Jerusalém, trouxe escondida a imagem da Senhora e a depositou no promontório. Estavam tristes e sós na sua fé, o rei e o frade. À noite, conta-se, acendiam as fogueiras para comunicarem, um e outro, dos altos onde tinham o abrigo. Chamar-se-ia então este lugar de Monte Siano e, se há razão para tal, eu já esqueci. Mas gosto de pensar que o nome vinha do azul abundante da paisagem. Na verdade, o que vemos por aí de campo e casario não existia. O mar estendia largos braços para dentro, cobrindo tudo. Era precisa elevação para que um bico de terra despontasse. Este primeiro imaginário ainda, por vezes, assalta os olhos do incauto quando o monte paira sobre a neblina e dá ideia que só de barco o poderemos alcançar.Outras vezes parece-me que o frade, chegando ali, pensou chegar ao fim do exílio. E, frente àquela nova Nazaré, deu ao lugar o nome de Sião, o que, como se sabe, para os poetas, não quer senão dizer Jerusalém. [...]”Hélia Correia
Sinopse
[...] Aquele monte isolado tem o ar de provir de um minúsculo vulcão. Logo na sua escala nos remete para a sociedade dos duendes. O bosque que o reveste tem arbustos que crescem pouco, como no propósito de ocultarem o solo aos nossos olhos. Fornece bagas, frutos secos, alimentos que bastam às pequenas criaturas e mesmo aos eremitas, que alguns houve. Fala a lenda de um certo Frei Romano que ali viveu na Alta Idade Média. Acompanhava o último rei godo que, de Jerusalém, trouxe escondida a imagem da Senhora e a depositou no promontório. Estavam tristes e sós na sua fé, o rei e o frade. À noite, conta-se, acendiam as fogueiras para comunicarem, um e outro, dos altos onde tinham o abrigo. Chamar-se-ia então este lugar de Monte Siano e, se há razão para tal, eu já esqueci. Mas gosto de pensar que o nome vinha do azul abundante da paisagem. Na verdade, o que vemos por aí de campo e casario não existia. O mar estendia largos braços para dentro, cobrindo tudo. Era precisa elevação para que um bico de terra despontasse. Este primeiro imaginário ainda, por vezes, assalta os olhos do incauto quando o monte paira sobre a neblina e dá ideia que só de barco o poderemos alcançar.Outras vezes parece-me que o frade, chegando ali, pensou chegar ao fim do exílio. E, frente àquela nova Nazaré, deu ao lugar o nome de Sião, o que, como se sabe, para os poetas, não quer senão dizer Jerusalém. [...]”Hélia CorreiaFicha Técnica
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