O primeiro e mais negro franquismo, o ano infame da Vitória, 1940 (um longuíssimo 1940), a Madrid dos "justiceiros" espontâneos, os grupos, as noites falangistas em que os cães comiam homem morto, os carros/fantasma e as madrugadas de vermelho, amarelo e sangue. Tudo isto é um romance que não é mais do que as memórias de um jovem fascista levado pelas suas "ideias" até ao fanatismo, à crueldade e praticamente ao suicídio. A tensão narrativa enriquece-se aqui com o desenho dos triunfadores, gentes glamorosas do Chicote e Pasapoga, famosos, nomes verídicos, mais a corrupção incipiente e atroz do sistema. As figuras de Juan Aparicio, Dionisio Ridruego, Serrano Suñer, etc., bem como os recintos sagrados do falangismo (Delegação Nacional do Movimento, Arriba, etc.), vistos por dentro, completam o quadro histórico e vivo. A tensão Franco/Falange e as composições daquela Espanha, nada "unitária", tornam este livro "um episódio nacional" onde a caneta de Francisco Umbral se move com violência, grande riqueza de informação, crueldade na apresentação dos factos, pontualidade no crime e grande plasticidade e vivacidade de conjunto.
"Esta história do contínuo rebaixamento de um espírito que atinge o último grau da baixeza ao servir-se cientemente dos demais, creio tê-la escrito Francisco Umbral como um protesto contra o esquecimento, contra o que chamamos "a curta memória dos povos". Os factos estão aí, tão trágicos em si mesmos que o romancista quase poderia ter-se limitado a encadeá-los numa intriga linear que desse satisfação mais ou menos lógica às expectativas do leitor. Ora, nem a intriga é linear, nem a linguagem - o estilo incomparável de Umbral - se contentou com ser o mero suporte de um curso narrativo. Esse ninho de escorpiões entrelaçados, mordendo-se uns aos outros, que foi a primeira Espanha franquista, encontrou em Francisco Umbral um analista corajoso e frontal: que ninguém se atreva agora a dizer "não sabia", ou "sim, ouvi falar, mas são histórias que pertencem ao passado". Puro engano. Por muito que possa doer àqueles que ainda se obstinam em confiar que um dia se há-de humanizar a espécie a que pertencemos, Mariano Armijo é imortal. Não o esqueçamos". (do Prefácio de José Saramago)
Sinopse
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