[…] Londres mudou a minha vida para sempre. Após o primeiro impacto, que me deixou surpreendido com tantos espaços verdes e tantas casas com tijolo à vista, impressionaram-me sobretudo o comportamento dos seus habitantes e o à-vontade com que circulavam e discutiam a situação política. Surpreendeu-me a forma delicada como pediam desculpa e agradeciam por qualquer coisa e, contrariamente à lenda, fiquei admiradíssimo pela naturalidade das muitas expressões de afecto que trocavam entre si no dia-a-dia [...]Mais surpreendente ainda foi ver a espontaneidade com que toda a gente usava o verbo amar. Amar, verbo regular, sem conotações ambíguas, superlativo do nosso tímido gostar. Mas para mim, aquilo que me deixou à porta do inimaginável, foi deparar com a maneira como esse povo lidava com os seus organismos públicos, naturalmente, sem qualquer temor, esperando deles apenas o cumprimento correcto das obrigações do Estado para com os seus cidadãos.Depois encheu-se-me a alma do anonimato maravilhoso da cidade, imensa, monumental, cosmopolita, cheia de gente apressada, mas para quem o bulício era o respirar tranquilo daquelas ruas e daquelas praças. Senti que o mundo inteiro se me abria, e que, pela primeira vez na minha vida, estava só, mas vivia em liberdade.”
Sinopse
[…] Londres mudou a minha vida para sempre. Após o primeiro impacto, que me deixou surpreendido com tantos espaços verdes e tantas casas com tijolo à vista, impressionaram-me sobretudo o comportamento dos seus habitantes e o à-vontade com que circulavam e discutiam a situação política. Surpreendeu-me a forma delicada como pediam desculpa e agradeciam por qualquer coisa e, contrariamente à lenda, fiquei admiradíssimo pela naturalidade das muitas expressões de afecto que trocavam entre si no dia-a-dia [...]Mais surpreendente ainda foi ver a espontaneidade com que toda a gente usava o verbo amar. Amar, verbo regular, sem conotações ambíguas, superlativo do nosso tímido gostar. Mas para mim, aquilo que me deixou à porta do inimaginável, foi deparar com a maneira como esse povo lidava com os seus organismos públicos, naturalmente, sem qualquer temor, esperando deles apenas o cumprimento correcto das obrigações do Estado para com os seus cidadãos.Depois encheu-se-me a alma do anonimato maravilhoso da cidade, imensa, monumental, cosmopolita, cheia de gente apressada, mas para quem o bulício era o respirar tranquilo daquelas ruas e daquelas praças. Senti que o mundo inteiro se me abria, e que, pela primeira vez na minha vida, estava só, mas vivia em liberdade.”Ficha Técnica
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