Pessoa não foi alheio a praticamente nenhuma das grandes questões do seu
tempo. Uma delas foi a "Questão ibérica", isto é, o futuro político dos
dois países e das muitas regiões que constituem a península ibérica,
quer através de uma união luso-espanhola, quer através de uma
confederação de nações. Esta foi uma questão que ganhou novamente
vigência na segunda metade da década de 1910 e na qual Pessoa quis
intervir. Uma questão, aliás, afim ao projecto pessoano da «refundação
mítica da existência», porque Pessoa queria que se formasse uma Ibéria
una e múltipla em que Portugal, depois do aparecimento do Super-Camões
(o próprio Pessoa), não perdesse protagonismo cultural. A questão
ibérica é também uma questão identitária, e esta é uma questão que, quer
no plano individual, quer no plano colectivo, está no centro da
estética e da filosofia pessoanas. Mais do que político, o iberismo de
Fernando Pessoa foi do tipo cultural e esteve intimamente ligado às
ligado às suas preocupações com questões de identidade.
Sinopse
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