"O livro da Vera está recheado de alusões às histórias do quotidiano,
com os seus personagens reais-imaginados, nos seus trabalhos, nas suas
pequenas e grandes tragédias.
No hálito morno da tarde que finda Os cães ladram, ao longe, Ao tractor vermelho do tio António. A mulher, uma velha muito velha, De mão calejada, vai acenando, de tempo a tempo, Ao marido que na distância desbrava o solo, A ceifar securas de um chão que se deu, Desfazendo torrões, fragmentos exaustos, Para que a terra de novo seja mãe.
Em Fora do Mundo, nota-se a preocupação de quem escreve em
descobrir a forma que lhe trará o poema, interrogando a própria natureza
do texto poético.
Não, não é poema, o que escrevo. Destilo o aroma do chocolate quente Sobre a mesa. A chuva lá fora é tudo o que existe - - Cá dentro tenho uma peça de Debussy A preencher o silêncio. O tic-tic-tic dos indicadores no teclado, O texto que avança, O tempo que se vai consumindo Na paz destes dias de inverno. A vela perfumada de canela E especiarias da Índia. É todo o exotismo da tarde. Não, não é um poema, o que escrevo. Apenas descrevo o meu ócio. O frio consumindo-se no pavio de uma vela."
Sinopse
No hálito morno da tarde que finda
Os cães ladram, ao longe,
Ao tractor vermelho do tio António.
A mulher, uma velha muito velha,
De mão calejada, vai acenando, de tempo a tempo,
Ao marido que na distância desbrava o solo,
A ceifar securas de um chão que se deu,
Desfazendo torrões, fragmentos exaustos,
Para que a terra de novo seja mãe.
Em Fora do Mundo, nota-se a preocupação de quem escreve em descobrir a forma que lhe trará o poema, interrogando a própria natureza do texto poético.
Não, não é poema, o que escrevo.
Destilo o aroma do chocolate quente
Sobre a mesa.
A chuva lá fora é tudo o que existe -
- Cá dentro tenho uma peça de Debussy
A preencher o silêncio.
O tic-tic-tic dos indicadores no teclado,
O texto que avança,
O tempo que se vai consumindo
Na paz destes dias de inverno.
A vela perfumada de canela
E especiarias da Índia.
É todo o exotismo da tarde.
Não, não é um poema, o que escrevo.
Apenas descrevo o meu ócio.
O frio consumindo-se no pavio de uma vela."
Licínia Quitério
Ficha Técnica
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