Curiosa forma tem Alberto Vaz da Silva de abeirar-se aqui de Sophia, em evocação intensa, dilectíssima e discreta. Quem tiver ouvidos para ouvir […]”. A visão inaugural é a de um jardim. Ainda não se fala de livros, nem de versos, mas de uma adolescente num maravilhoso jardim semi-abandonado e selvagem”, deslizando atrás do aroma profundo, intenso, secreto, veludoso, insondável” que é a almado mundo e a nossa própria. Quando Sophia, recuperando a memória desse lugar, escrever que o corpo de Alexandre da Macedónia era, por sua natureza, aromático”, certamente re-corda e a-corda. Os jardins são, para a consciência, territórios de origem, patamares, cavidades maternais, propulsores devertiginosa passagem. A imagem do epílogo, por sua vez, é um traço do autor, a impressão do olhar perante Sophia que escreve, apenas isso: Ali, naquela folha, arvorava o seu nome […]”. Detenho-me no modo exacto e, todavia, inesperado que Alberto Vaz da Silva propõe para enunciar, ou anunciar, o acto da escrita: arvorava”. No princípio e no fim temos, assim, o jardim, pois a escrita é, ela também, singular forma de arborescência. A caligrafia é tatuagem orgânica, matéria com predicados vegetais: linha indivisa, ramificada, que se multiplica desde as raízes até ao alto (ou desde o alto até às raízes, como ensina a Cabala). Escrever mantém uma equivalência misteriosa com o arborescer. Este é, se quisermos, um livro sobre jardins. Os que nos precedem, os que formam sem sabermosa nossa alma e os seus declives, os que silenciosamente se avistam nas várias formas de grafia, desdeaquela que cintila na vastidão silenciosa dos céus (e que também nos pertence), à nossa grafia íntima, feita de arranhões, de registos digitais, de textos, crateras.» José Tolentino Mendonça, no posfácio deste livro.
Sinopse
Curiosa forma tem Alberto Vaz da Silva de abeirar-se aqui de Sophia, em evocação intensa, dilectíssima e discreta. Quem tiver ouvidos para ouvir […]”. A visão inaugural é a de um jardim. Ainda não se fala de livros, nem de versos, mas de uma adolescente num maravilhoso jardim semi-abandonado e selvagem”, deslizando atrás do aroma profundo, intenso, secreto, veludoso, insondável” que é a almado mundo e a nossa própria. Quando Sophia, recuperando a memória desse lugar, escrever que o corpo de Alexandre da Macedónia era, por sua natureza, aromático”, certamente re-corda e a-corda. Os jardins são, para a consciência, territórios de origem, patamares, cavidades maternais, propulsores devertiginosa passagem. A imagem do epílogo, por sua vez, é um traço do autor, a impressão do olhar perante Sophia que escreve, apenas isso: Ali, naquela folha, arvorava o seu nome […]”. Detenho-me no modo exacto e, todavia, inesperado que Alberto Vaz da Silva propõe para enunciar, ou anunciar, o acto da escrita: arvorava”. No princípio e no fim temos, assim, o jardim, pois a escrita é, ela também, singular forma de arborescência. A caligrafia é tatuagem orgânica, matéria com predicados vegetais: linha indivisa, ramificada, que se multiplica desde as raízes até ao alto (ou desde o alto até às raízes, como ensina a Cabala). Escrever mantém uma equivalência misteriosa com o arborescer. Este é, se quisermos, um livro sobre jardins. Os que nos precedem, os que formam sem sabermosa nossa alma e os seus declives, os que silenciosamente se avistam nas várias formas de grafia, desdeaquela que cintila na vastidão silenciosa dos céus (e que também nos pertence), à nossa grafia íntima, feita de arranhões, de registos digitais, de textos, crateras.» José Tolentino Mendonça, no posfácio deste livro.Ficha Técnica
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