"Elogios", o primeiro livro de Saint-John Perse, editado pela primeira vez em 1911, traduzido por Jorge Melícias. Volume de memorações (da infância, de espaços percorridos), é fulgurante a presença de símbolos como a ilha, o barco, o fogo, em sequências poéticas de larga e intensa respiração e fôlego. A marca da intemporalidade é legível desde logo na figura de Crusoé, solicitada por Perse como símbolo da humanidade, "Livro" vivo, "oferecido aos sinais da noite, como uma mão invertida". Simultâneamente herói do tempo perdido e do tempo devolvido, do extratempo no meio do vasto e rápido mundo para a anterioridade da origem: "O que havia na infância que deixou de haver? Planícies! Encostas! (...) Crescem os meus membros, e pesam, alimentados pela idade! Para o sonho das crianças não conhecerei outro lugar em que moinhos e canaviais melhor se distribuam em águas vivas e cantantes...". O elogio é precisamente o do encontro do Homem em si mesmo, bebendo da terra, pela terra e na terra o seu sentido como corrente: "e tudo o que se derrama nas macias solidões da manhã. A ponte lavada, ao amanhecer, com uma água semelhante no sonho à mistura da aurora, faz com o céu uma bela analogia. E a infância adorável do dia nasce mesmo, pela trepadeira das tendas enroladas, à minha canção. Infância, meu amor, não é senão isto?".
Sinopse
"Elogios", o primeiro livro de Saint-John Perse, editado pela primeira vez em 1911, traduzido por Jorge Melícias. Volume de memorações (da infância, de espaços percorridos), é fulgurante a presença de símbolos como a ilha, o barco, o fogo, em sequências poéticas de larga e intensa respiração e fôlego. A marca da intemporalidade é legível desde logo na figura de Crusoé, solicitada por Perse como símbolo da humanidade, "Livro" vivo, "oferecido aos sinais da noite, como uma mão invertida". Simultâneamente herói do tempo perdido e do tempo devolvido, do extratempo no meio do vasto e rápido mundo para a anterioridade da origem: "O que havia na infância que deixou de haver? Planícies! Encostas! (...) Crescem os meus membros, e pesam, alimentados pela idade! Para o sonho das crianças não conhecerei outro lugar em que moinhos e canaviais melhor se distribuam em águas vivas e cantantes...". O elogio é precisamente o do encontro do Homem em si mesmo, bebendo da terra, pela terra e na terra o seu sentido como corrente: "e tudo o que se derrama nas macias solidões da manhã. A ponte lavada, ao amanhecer, com uma água semelhante no sonho à mistura da aurora, faz com o céu uma bela analogia. E a infância adorável do dia nasce mesmo, pela trepadeira das tendas enroladas, à minha canção. Infância, meu amor, não é senão isto?".Ficha Técnica
- Actualmente 0 estrelas
- 1
- 2
- 3
- 4
- 5
(0 comentários dos leitores)