Voar, fugir, sonhar, procurar uma realidade poética onde respirar e viver: a viagem, essa obsessão do poeta moderno, que sempre esteve presente no imaginário do autor (lembre-se a mala com que ficou representado na 1.ª Exposição dos Surrealistas), percorre como tema recorrente (às vezes através das alusões a um emblemático comboio) os poemas do seu segundo livro, Textos Poéticos, presidindo a belíssima narração lírica As cidades e o meu nome”, onde a imagem do ‘homo viator’ aparece ligada à da construção duma cidade feita para tornar possível a experiência do ‘amour fou’ que por sua vez permite à personagem a descoberta e a experiência da própria identidade, do nome”, talvez aquele nome” que Cesariny reclamava no seu conhecido poema A Antonin Artaud” como promessa e privilégio duma idade em que serão esquecidos por // completo // os grandes nomes opacos que hoje damos às coisas”. No livro que ficou inédito (apesar dos esforços de Mário Cesariny para o publicar) e que agora incorporamos a esta edição, a realidade quotidiana vai emergindo das brumas do sonho para se concretizar mostrando os seus perfis mais duros, as referências a essa realidade (física, política, moral) são cada vez mais concretas e identificáveis, e a luta pela sua transformação (reabilitação) mais prendida à prosa do dia-a-dia e por isso mais insatisfatória e mais cruel. Mas apesar das armadilhas e das resistências da realidade real, o Poeta conseguiu chegar a esta estação final da sua itinerância” agarrado à sua mala mítica onde sempre guardara a bússola — o Amor — para não se perder na Cidade que Verhaeren alcunhou lucidamente de tentacular” e o instrumento — a Palavra — para perpetuar com as mais fulgurantes imagens a sua condena e para desenhar a esperança resumida poética e profeticamente no haverá // um acordar” de Mário Cesariny.”Perfecto E. Cuadrado
Sinopse
Voar, fugir, sonhar, procurar uma realidade poética onde respirar e viver: a viagem, essa obsessão do poeta moderno, que sempre esteve presente no imaginário do autor (lembre-se a mala com que ficou representado na 1.ª Exposição dos Surrealistas), percorre como tema recorrente (às vezes através das alusões a um emblemático comboio) os poemas do seu segundo livro, Textos Poéticos, presidindo a belíssima narração lírica As cidades e o meu nome”, onde a imagem do ‘homo viator’ aparece ligada à da construção duma cidade feita para tornar possível a experiência do ‘amour fou’ que por sua vez permite à personagem a descoberta e a experiência da própria identidade, do nome”, talvez aquele nome” que Cesariny reclamava no seu conhecido poema A Antonin Artaud” como promessa e privilégio duma idade em que serão esquecidos por // completo // os grandes nomes opacos que hoje damos às coisas”. No livro que ficou inédito (apesar dos esforços de Mário Cesariny para o publicar) e que agora incorporamos a esta edição, a realidade quotidiana vai emergindo das brumas do sonho para se concretizar mostrando os seus perfis mais duros, as referências a essa realidade (física, política, moral) são cada vez mais concretas e identificáveis, e a luta pela sua transformação (reabilitação) mais prendida à prosa do dia-a-dia e por isso mais insatisfatória e mais cruel. Mas apesar das armadilhas e das resistências da realidade real, o Poeta conseguiu chegar a esta estação final da sua itinerância” agarrado à sua mala mítica onde sempre guardara a bússola — o Amor — para não se perder na Cidade que Verhaeren alcunhou lucidamente de tentacular” e o instrumento — a Palavra — para perpetuar com as mais fulgurantes imagens a sua condena e para desenhar a esperança resumida poética e profeticamente no haverá // um acordar” de Mário Cesariny.”Perfecto E. CuadradoFicha Técnica
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