ODE DE UM PROFESSOR REFORMADO
I
Venham os moralistas do fado
Pregar a cantiga estafada
Que nunca se trata à chapada
Um puto mal educado.
Sabe-lhes bem o lugar
Onde só a eles compete
Criar leis de gabinete
Que ninguém quer aplicar.
Fedelho que a-manda a escarreta
No olho do professor
Devemos tratar com amor?
E os que dizem que o Ensino é treta
E fonte de todo o Mal
Merecem um pedestal?
II
Meio século é passado
Que só três dias parece
Para tudo quanto acontece
Eu olho agora abismado.
Incríveis experiências humanas
Vivi em quarenta e tal anos
De sonhos e desenganos
Em aulas de putos sacanas
Mas se a Escola é a Via
Do direito ao Saber
Para quem queira aprender
Haverá democracia
onde é negada a vez
Do direito à estupidez?
III
Não te queixes velho herói
Se és generoso e nobre
Como todo o que é pobre
Mas algo de útil constrói
Se tu sem tréguas te viras
A fim de dares ao mundo
Aquilo que bem lá no fundo
Para ti próprio aspiras.
Movido por esses ideais
Um dia acordas do sonho
E então, constatas risonho
Que os contributos reais
De um lutador como tu
Nem dão para limpar o Cu.
Vasco San-Payo
Sinopse
ODE DE UM PROFESSOR REFORMADO I Venham os moralistas do fado Pregar a cantiga estafada Que nunca se trata à chapada Um puto mal educado. Sabe-lhes bem o lugar Onde só a eles compete Criar leis de gabinete Que ninguém quer aplicar. Fedelho que a-manda a escarreta No olho do professor Devemos tratar com amor? E os que dizem que o Ensino é treta E fonte de todo o Mal Merecem um pedestal? II Meio século é passado Que só três dias parece Para tudo quanto acontece Eu olho agora abismado. Incríveis experiências humanas Vivi em quarenta e tal anos De sonhos e desenganos Em aulas de putos sacanas Mas se a Escola é a Via Do direito ao Saber Para quem queira aprender Haverá democracia onde é negada a vez Do direito à estupidez? III Não te queixes velho herói Se és generoso e nobre Como todo o que é pobre Mas algo de útil constrói Se tu sem tréguas te viras A fim de dares ao mundo Aquilo que bem lá no fundo Para ti próprio aspiras. Movido por esses ideais Um dia acordas do sonho E então, constatas risonho Que os contributos reais De um lutador como tu Nem dão para limpar o Cu. Vasco San-PayoFicha Técnica
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