Em Corpo de Cordas, a história termina bem, mas a extinção do Ballet Gulbenkian, anunciada pela Fundação precisamente depois de a história do coreógrafo Paulo Ribeiro estar escrita, fez com que o livro ganhasse uma nova relevância. O que ali se relata é parte de um passado que, apesar de recente, ficou marcado por uma morte abrupta em 2005, amplamente comentada e discutida na comunicação social. Foi o ano em que a Companhia Paulo Ribeiro festejava 10 anos e o Ballet Gulbekian celebrava 40, ambos dirigidos então pelo bailarino e coreógrafo Paulo Ribeiro. Quanto à história que se narra que serve de matéria humana principal do livro, optou-se por manter esse tom de esperança no futuro e não lhe acrescentar os novos factos. Na página seguinte ao fim desta história, faz-se um intervalo com uma fotografia da peça Silicone Não a pedir um minuto de silêncio porque Paulo Ribeiro decidiu falar, contrariando o silêncio que manteve até agora sobre o assunto. Publica-se ali um polémico anexo que constitui uma carta aberta do coreógrafo e que promete voltar a incendiar com este testemunho pessoal que começa um ano antes de assumir as funções de director artístico da companhia, em 2002, desde logo com o mesmo tom irónico que caracteriza as suas peças de dança: Lembro-me de ter chegado ao Dr. Carlos Pontes Leça (então director adjunto do Serviço de Música) e perguntar-lhe sobre a veracidade destes comentários. Ele riu-se. Deu-me uma palmada nas costas e disse-me: Oh Paulo, na Fundação não temos vocação para Apocalypse Now”. E eu, com uma expressão destas, estava longe de pensar que o filme era mais série b, mais Terminator do que Apocalypse.” Apesar do conteúdo polémico e actual, este não é um livro apenas para entendidos em dança, mas antes uma narrativa de uma história de vida, de aventuras por países estrangeiros, uma intensa procura de realização pessoal e uma persistente teimosia em contrariar o destino até transformar a desarticulação do movimento em qualidade caracterizadora do trabalho que desenvolve até hoje e que é tão elogiado. A partir do caminho traçado por Paulo Ribeiro fala-se de um Portugal dos eternos recomeços, que discute a descentralização das artes, que inventa novas formas de formação pedagógica, que se apaixona, que anda com a casa às costas e que não tem pudores de se rir de si próprio e de outras vidas que se cruzam com a dele, como a da singular e premiada bailarina Leonor Keil, parceira em palco e na vida. Paulo Ribeiro é hoje director da Companhia Paulo Ribeiro e prepara-se para reassumir, em finais de 2006, a direcção do Teatro Viriato, em Viseu. Em 2005, por ocasião da comemoração dos 10 anos da sua companhia, criou a obra Memórias de um Sábado Com Rumores de Azul.
Sinopse
Em Corpo de Cordas, a história termina bem, mas a extinção do Ballet Gulbenkian, anunciada pela Fundação precisamente depois de a história do coreógrafo Paulo Ribeiro estar escrita, fez com que o livro ganhasse uma nova relevância. O que ali se relata é parte de um passado que, apesar de recente, ficou marcado por uma morte abrupta em 2005, amplamente comentada e discutida na comunicação social. Foi o ano em que a Companhia Paulo Ribeiro festejava 10 anos e o Ballet Gulbekian celebrava 40, ambos dirigidos então pelo bailarino e coreógrafo Paulo Ribeiro. Quanto à história que se narra que serve de matéria humana principal do livro, optou-se por manter esse tom de esperança no futuro e não lhe acrescentar os novos factos. Na página seguinte ao fim desta história, faz-se um intervalo com uma fotografia da peça Silicone Não a pedir um minuto de silêncio porque Paulo Ribeiro decidiu falar, contrariando o silêncio que manteve até agora sobre o assunto. Publica-se ali um polémico anexo que constitui uma carta aberta do coreógrafo e que promete voltar a incendiar com este testemunho pessoal que começa um ano antes de assumir as funções de director artístico da companhia, em 2002, desde logo com o mesmo tom irónico que caracteriza as suas peças de dança: Lembro-me de ter chegado ao Dr. Carlos Pontes Leça (então director adjunto do Serviço de Música) e perguntar-lhe sobre a veracidade destes comentários. Ele riu-se. Deu-me uma palmada nas costas e disse-me: Oh Paulo, na Fundação não temos vocação para Apocalypse Now”. E eu, com uma expressão destas, estava longe de pensar que o filme era mais série b, mais Terminator do que Apocalypse.” Apesar do conteúdo polémico e actual, este não é um livro apenas para entendidos em dança, mas antes uma narrativa de uma história de vida, de aventuras por países estrangeiros, uma intensa procura de realização pessoal e uma persistente teimosia em contrariar o destino até transformar a desarticulação do movimento em qualidade caracterizadora do trabalho que desenvolve até hoje e que é tão elogiado. A partir do caminho traçado por Paulo Ribeiro fala-se de um Portugal dos eternos recomeços, que discute a descentralização das artes, que inventa novas formas de formação pedagógica, que se apaixona, que anda com a casa às costas e que não tem pudores de se rir de si próprio e de outras vidas que se cruzam com a dele, como a da singular e premiada bailarina Leonor Keil, parceira em palco e na vida. Paulo Ribeiro é hoje director da Companhia Paulo Ribeiro e prepara-se para reassumir, em finais de 2006, a direcção do Teatro Viriato, em Viseu. Em 2005, por ocasião da comemoração dos 10 anos da sua companhia, criou a obra Memórias de um Sábado Com Rumores de Azul.Ficha Técnica
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