O cartoonista não tem por obrigação construir seja o que for. Sevemos que alguma coisa está mal, o nosso papel é destruir. Depoishá gente que vem atrás e constrói sobre os escombros, mas não énossamissão fazer crítica construtiva, isso cabe a outros, pensadores,políticos…”1 Talvez escombros seja exagero, mas a obra de AugustoCid (Faial, 1941), que cumpre agora meio século, alguns estragoscometeu numa ou noutra figura da política nacional, como aliásexemplifica logo o primeiro dos auto-retratos que abrem esta antologia.E se começámos com o olhar do artista sobre o seu corpo, tínhamosde iniciar este texto com palavras suas sobre o seu espírito.O observador, que remete com ironia para pensadores e políticos a missão de construir, mexecom o objecto, incomoda com a perspectiva e a caneta. Pode até pedir desculpa, que não lheevita dissabores: foi o primeiro desenhador de humor do pós-25 de Abril a ver livros seusapreendidos, sofreu processos e retaliações, antes ainda de outras mais duras e pesadas consequênciasdevido a um acto de cidadania. Em país de coitadinhos sempre prontos a vestir o papelda vítima, preferindo os ademanes da simpatia à simples frontalidade, presos algures entreo cacique e o sabujo, Cid foimalcriado e panfletário, obsessivo e impiedoso,mas acima de tudolúcido, acutilante e divertido.» João Paulo Cotrim
Nasceu em Lisboa, no ano de 1965. É jornalista, tendo colaborado em órgãos de comunicação social como SIC, TSF, assim como em publicações nacionais e...
Sinopse
O cartoonista não tem por obrigação construir seja o que for. Sevemos que alguma coisa está mal, o nosso papel é destruir. Depoishá gente que vem atrás e constrói sobre os escombros, mas não énossamissão fazer crítica construtiva, isso cabe a outros, pensadores,políticos…”1 Talvez escombros seja exagero, mas a obra de AugustoCid (Faial, 1941), que cumpre agora meio século, alguns estragoscometeu numa ou noutra figura da política nacional, como aliásexemplifica logo o primeiro dos auto-retratos que abrem esta antologia.E se começámos com o olhar do artista sobre o seu corpo, tínhamosde iniciar este texto com palavras suas sobre o seu espírito.O observador, que remete com ironia para pensadores e políticos a missão de construir, mexecom o objecto, incomoda com a perspectiva e a caneta. Pode até pedir desculpa, que não lheevita dissabores: foi o primeiro desenhador de humor do pós-25 de Abril a ver livros seusapreendidos, sofreu processos e retaliações, antes ainda de outras mais duras e pesadas consequênciasdevido a um acto de cidadania. Em país de coitadinhos sempre prontos a vestir o papelda vítima, preferindo os ademanes da simpatia à simples frontalidade, presos algures entreo cacique e o sabujo, Cid foimalcriado e panfletário, obsessivo e impiedoso,mas acima de tudolúcido, acutilante e divertido.» João Paulo Cotrim
Ficha Técnica
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