Nesta obra, como em todas as outras, Locke anuncia e prepara o grande
movimento do Iluminismo, que culminará com Voltaire. Locke distingue
primeiramente as três ordens da força, da razão e da fé. Em seguida,
afirma que todos os homens pertencem a duas sociedades: a civil e a
religiosa. O problema da intolerância resulta da confusão entre estes
dois domínios: a sua confusão é prejudicial quer à saúde do corpo social
como à busca da saúde individual. Cabe à força política impedir que
interfiram, sem se preocupar com a saúde das almas nem da fé, sobre as
quais o governo não tem qualquer direito. O poder do estado não saberia
efectivamente estender-se além dos interesses temporais da sociedade;
está aqui um princípio cardinal da filosofia liberal, da qual Locke pode
ser considerado fundador. Quanto às Igrejas, são instituições privadas,
que não afectam em nada a colectividade. O Estado não pode intervir no
seu funcionamento ou regulamentar os cultos a não ser que estes se
revelem atentatórios do direito das pessoas ou do bom caminho da
sociedade. É o princípio da laicidade do estado que é aqui colocado, com
uma nitidez sem precedentes. Em nome deste princípio, Locke reclama a
igualdade de direitos para todos os cultos, sem diferença.
Sinopse
Ficha Técnica
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