No estado de desenvolvimento actual do seu trabalho, é um desenhador que apresentamos. Mas em cada um dos desenhos de Sena resiste ou anuncia-se a pintura. E são desenhos oucaligrafias? A polémica resolve-se na raiz das palavras, pois que, em grego, graphien é simultaneamente desenho e escrita. Sena copia longa e repetidamente, obsessivo é o termo certo para um exercício que o tem ocupado nos últimos anos, as mesmas páginas dos mesmos livros. Nessas primeiras páginas do Génesis é um princípio etimológico, também, aquilo que procura para o seu trabalho: uma Luz. Sena experimenta um sem-fim de modos de escrever Voltaire ou apenas a inicial V (vê)do seu nome. E é o restabelecer visual dos diálogos intensos do filósofo com a escrita sagrada que o artista alcança. Finalmente, Sena aproxima-se da revelação de textos totais (esta exposição mostra um Génesis quase completo e duas versões, completas, do texto de Voltaire Poème sur le desastre de Lisbonne). É como se o artista quisesse provar ter ganho fôlego narrativo contra a anterior dimensão serial e repetitiva. No entanto, mantém-se sempre o domínio do desenho e da abstracção. […]»João Pinharanda
Sinopse
No estado de desenvolvimento actual do seu trabalho, é um desenhador que apresentamos. Mas em cada um dos desenhos de Sena resiste ou anuncia-se a pintura. E são desenhos oucaligrafias? A polémica resolve-se na raiz das palavras, pois que, em grego, graphien é simultaneamente desenho e escrita. Sena copia longa e repetidamente, obsessivo é o termo certo para um exercício que o tem ocupado nos últimos anos, as mesmas páginas dos mesmos livros. Nessas primeiras páginas do Génesis é um princípio etimológico, também, aquilo que procura para o seu trabalho: uma Luz. Sena experimenta um sem-fim de modos de escrever Voltaire ou apenas a inicial V (vê)do seu nome. E é o restabelecer visual dos diálogos intensos do filósofo com a escrita sagrada que o artista alcança. Finalmente, Sena aproxima-se da revelação de textos totais (esta exposição mostra um Génesis quase completo e duas versões, completas, do texto de Voltaire Poème sur le desastre de Lisbonne). É como se o artista quisesse provar ter ganho fôlego narrativo contra a anterior dimensão serial e repetitiva. No entanto, mantém-se sempre o domínio do desenho e da abstracção. […]»João PinharandaFicha Técnica
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